O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) confidenciou a aliados na semana passada acreditar que o senador Rodrigo Pacheco (PSD) recusará o convite do presidente Lula (PT) para disputar a sucessão do governador Romeu Zema (Novo). Neste cenário, os petistas seriam obrigados a lançar uma candidatura própria, ainda que com baixa viabilidade eleitoral.
Na avaliação de Kalil, ele contaria, portanto, com o apoio do PT em um eventual segundo turno contra o vice-governador Mateus Simões (PSD) ou contra o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), caso este de fato seja candidato.
Antes de oficializar sua candidatura, o ex-prefeito da capital terá que reverter na Justiça a decisão que o condenou por improbidade administrativa e suspendeu seus direitos políticos por cinco anos. Interlocutores próximos a Kalil acreditam, contudo, que o pedetista não terá dificuldades para reaver sua elegibilidade no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
No PT, há consenso na tese de que a participação do partido na chapa de Kalil não se repetirá este ano. Lideranças petistas defendem que as eleições de 2022 deixaram sequelas na relação do ex-prefeito com o partido. A ruptura fez com que os correligionários de Lula buscassem outras alternativas para a corrida pelo Palácio Tiradentes.
As articulações mais recentes são pelo lançamento da pré-candidatura da reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sandra Goulart. O convite para que a reitora entre na disputa partiu do grupo liderado pelo deputado federal Reginaldo Lopes (PT). Sandra concluirá em março seu segundo mandato consecutivo à frente da UFMG.
Distante do PT, Kalil trabalha para atrair partidos com tempo de TV e força eleitoral para turbinar sua campanha. Até o momento, no entanto, o ex-prefeito não recebeu declarações oficiais de apoio à sua pré-candidatura fora do PDT.
A propósito, a fala de Paulo Lamac, ex-vice-prefeito durante a primeira gestão de Kalil em BH, ao cogitar uma possível candidatura do deputado federal André Janones ao governo de Minas, foi interpretada por interlocutores como um afastamento de antigos aliados de Kalil ao seu projeto eleitoral.