Cortejado por partidos próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, avalia permanecer no PSD.
O Fator apurou que Lula avalia convidar Silveira para compor a coordenação nacional de sua campanha à reeleição. Nesse cenário, Silveira não disputaria uma vaga no Senado Federal por Minas Gerais e teria caminho livre para ficar no partido onde está.
A movimentação pela permanência de Silveira não encontra resistência interna nas direções estadual e nacional do PSD. Pelo contrário: o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, e o presidente do diretório mineiro, o deputado estadual Cássio Soares, tentam, desde a filiação do vice-governador Mateus Simões, em outubro, convencer o ministro a não deixar a sigla.
Olho no 2º turno
Um possível “fico” de Silveira é visto com bons olhos, inclusive, por dirigentes do PT. A legenda de Lula entende que seria possível utilizar a boa relação do ministro com Kassab para garantir o apoio pessedista em um hipotético 2° turno presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Kassab, entretanto, afirmou publicamente no começo de fevereiro que estará ao lado do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro em um eventual segundo turno na corrida pelo Palácio do Planalto.
Para o 1° turno, os pessedistas trabalham por uma candidatura própria. Estão no páreo três governadores: Ronaldo Caiado, de Goiás, Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior, do Paraná.
Paralelamente, a permanência de Silveira no PSD permitiria que a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), ganhasse terreno na disputa pelo Senado, podendo ser apresentada como a candidata prioritária de Lula.
Efeito colateral
Em caso de manutenção da filiação de Silveira do PSD, o principal atingido será o PSB.
Lideranças da legenda em Minas ainda esperam que o ministro aceite o convite feito pelo presidente nacional, o prefeito de Recife (PE) João Campos, para representar a sigla na disputa pelo Senado.
A filiação de Silveira levaria ao PSB, ainda, aliados do ministro, que passariam a compor as chapas de concorrentes à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e à Câmara dos Deputados.