Com processo de privatização avançado e oferta de ações em preparação pelo governo estadual, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 1,42 bilhão, crescimento de 7,5% em relação a 2024. No quarto trimestre, o lucro foi de R$ 337 milhões, alta de 23,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Os resultados foram divulgados após o fechamento do pregão de quarta-feira (25).
Segundo interlocutores, o desempenho reforça o argumento de que a empresa chega ao mercado com rentabilidade em expansão e geração de caixa consistente, ampliando o interesse de possíveis compradores. A previsão do Executivo mineiro é concluir a desestatização até o fim de março.
Impacto do reajuste tarifário
A receita líquida de água, esgoto e resíduos sólidos somou R$ 7,36 bilhões em 2025, avanço de 5,6% sobre o exercício anterior, quando totalizou R$ 6,97 bilhões. No quarto trimestre, a receita foi de R$ 1,88 bilhão, aumento de 6,9% na comparação anual.
Parte da expansão está ligada ao reajuste tarifário médio de 6,42% autorizado pela Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário de Minas Gerais (Arsae-MG) a partir de janeiro de 2025, além do crescimento do volume de água e esgoto medido, segundo a companhia.
Geração operacional de caixa
Conhecido como Ebitda e utilizado para medir a geração operacional de caixa, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização atingiu R$ 2,95 bilhões em 2025, alta de 5,7% frente a 2024. No quarto trimestre, o indicador ficou em R$ 731 milhões, crescimento de 14,1% na comparação com igual período do ano anterior.
O dado é central na modelagem da oferta porque sinaliza a capacidade de a empresa sustentar investimentos e serviço da dívida após eventual mudança de controle.
A dívida líquida, aliás, encerrou dezembro em R$ 6,83 bilhões, ante R$ 5,79 bilhões ao fim de 2024, conforme o balanço. O índice de alavancagem, que relaciona dívida líquida e Ebitda, fechou em 2,3 vezes.
Isso significa que o estoque da dívida equivale a pouco mais de dois anos da geração de caixa operacional atual. A Copasa informou que mantém proteção cambial para “praticamente a totalidade da dívida em moeda estrangeira”.
Investimentos
Os investimentos somaram R$ 2,9 bilhões em 2025, alta de 32% em relação ao ano anterior. O volume é estratégico porque o Novo Marco do Saneamento estabelece metas de universalização até 2033.
Segundo a companhia, a cobertura de abastecimento de água supera 99% e a de esgoto coletado e tratado atingiu 80,1% em dezembro de 2025.
No campo operacional, o índice de inadimplência caiu para 2,91% e as perdas na distribuição recuaram para 32,4%. Esses indicadores influenciam diretamente a percepção de eficiência e o valor atribuído à empresa em um processo de venda de ações.
Alteração societária
Os acionistas aprovaram, em assembleia realizada na segunda-feira (23), as mudanças estatutárias vinculadas à privatização, conforme adiantou O Fator. O novo estatuto autoriza o governo estadual, que detém 50,03% das ações, a vender parte da participação, mas preserva uma ação preferencial especial, conhecida como golden share, que garante ao Executivo poder de veto em decisões estratégicas.
O modelo aprovado também impõe travas para impedir a alteração do nome e da sede da companhia sem aval do governo estadual e obriga eventuais novos controladores a cumprir as metas de universalização do saneamento.
Oferta secundária
A proposta elaborada pelo Executivo mineiro prevê a venda de uma fatia relevante das ações por meio de oferta secundária na bolsa de valores, com preferência para acordo com investidor de referência. Nesse formato, os recursos arrecadados vão diretamente para o caixa do Estado, com destinação prevista para investimentos em infraestrutura no âmbito do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).
Bancos definidos
Na condição de acionista majoritário, o governo de Minas Gerais definiu as instituições financeiras que vão coordenar a potencial oferta de ações: Banco BTG Pactual S.A., como coordenador líder, UBS Brasil Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários S.A., Itaú BBA S.A., Citigroup Global Markets Brasil CCTVM S.A. e Bank of America Merrill Lynch Banco Múltiplo S.A. A definição dos coordenadores confirma a entrada da operação na fase de estruturação financeira.