O Sul de Minas Gerais, destino da primeira viagem de Romeu Zema (Novo) como governador, em 2019, também foi palco da última agenda dele à frente do Executivo estadual, no início desta semana. Na despedida, Zema ouviu de prefeitos, empresários e lideranças locais um apelo que já circula no entorno do PL: desistir da candidatura à Presidência da República e aceitar ser vice na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (RJ).
Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e herdeiro natural do recall eleitoral do pai, Flávio é a aposta da direita para o plano nacional, segundo as pesquisas. Zema, por enquanto, mantém o discurso de pré-candidato ao Planalto.
A última viagem do político do Novo no comando de Minas ocorreu na segunda (16) e na terça-feira (17). Em dois dias, o governador passou por sete cidades, percorreu cerca de 360 quilômetros por estrada e, depois, seguiu para São Paulo (SP), onde se reuniu com representantes do grupo Cogna de Educação e com investidores.
O roteiro incluiu Lavras, Varginha, Pouso Alegre, Congonhal, Ipuiúna, Caldas e Poços de Caldas. Zema foi de Belo Horizonte a Lavras de avião. De lá, fez de carro os demais deslocamentos em território mineiro. Depois, embarcou para São Paulo e retornou também de avião.
Ele fica no cargo até domingo (22), quando transmite o governo ao vice-governador Mateus Simões (PSD), pré-candidato ao Palácio Tiradentes.
Segundo interlocutores, o clima foi de despedida, agradecimento e articulação política.
Frente contra reeleição de Lula
Prefeitos e lideranças locais dominaram as agendas. Nos bastidores, a avaliação se repetia: Zema teria mais utilidade eleitoral como vice de Flávio Bolsonaro e formando uma frente contra a reeleição do Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar do pedido, os chefes do Executivo afirmaram que manteriam o apoio ao governador de Minas independente da decisão.
A pressão, no entanto, não veio de um encontro isolado. Atravessou a viagem. Mesmo quando a fala não era direcionada ao governador, o assunto costumava girar ao redor de uma possível dobradinha com o filho de Bolsonaro.
A leitura de parte dos prefeitos é que uma chapa com o bolsonarismo daria a Zema algo que a pré-candidatura ainda não entregou: competitividade nacional. Garantiria, ainda, fôlego a Mateus Simões (PSD), que poderia atrair o PL para a sua coligação
O movimento tem respaldo em Brasília. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, já disse que Zema está entre as opções do partido para a vice em 2026. A outra citada por ele é a senadora e ex-ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento no governo Bolsonaro, Tereza Cristina (PP-MS).
Na maior parte do trajeto, o governador foi acompanhado pela secretária de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa, pelo presidente da Invest Minas, Rodrigo Tavares, e pelo diretor de Atração de Investimentos da agência, Ronaldo Barquette. Café, comida mineira e uma romaria de lideranças locais completaram o roteiro.
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