O volume total de emendas parlamentares em Minas cresceu 31,5% entre 2024 e 2025, mas os repasses ao Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) seguiram na direção oposta. Uma das corporações mais acionadas nas grandes tragédias do estado recebeu R$ 9,35 milhões no ano passado, o equivalente a 0,43% dos R$ 2,17 bilhões distribuídos pelos deputados estaduais.
O valor é 49,2% menor do que o destinado em 2024, quando a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) indicou R$ 18,39 milhões para a corporação, dentro de um volume global de R$ 1,65 bilhão em emendas. Naquele ano, aliás, os bombeiros respondiam por 1,11% do total.
O levantamento foi feito por O Fator, com base no Painel de Emendas do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG).
Menos “padrinhos”
A perda não foi apenas financeira. Também encolheu o número de padrinhos políticos da corporação na Assembleia. Em 2024, 28 deputados destinaram recursos ao CBMMG. Em 2025, foram 16, uma queda de 42,9%.
O contraste chama atenção porque as emendas para os bombeiros não bancam gastos acessórios. São recursos usados para compra de viaturas, equipamentos operacionais, reformas de unidades e modernização de estruturas.
Na prática, ajudam a financiar desde itens de proteção individual e equipamentos de mergulho até reforço de frota e aparelhamento para salvamentos.
Protagonismo x prioridade
O descompasso entre protagonismo operacional e baixa prioridade orçamentária ficou evidente nas chuvas que atingiram a Zona da Mata neste ano.
No fim de fevereiro, mais de 550 agentes das forças de segurança foram mobilizados em Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, com participação de bombeiros, Defesa Civil e polícias, segundo o governo de Minas.
Em outra atualização oficial, o Executivo informou que mais de 200 pessoas haviam sido salvas com vida nas áreas atingidas.
Em Matias Barbosa, os bombeiros resgataram 108 pessoas e oito animais em menos de três dias, depois de o município registrar 170 milímetros de chuva em menos de três horas e sofrer com o transbordamento do Rio Paraibuna.
Quem indicou
2025
- Sargento Rodrigues (PL): R$ 2.461.000
- Bruno Engler (PL): R$ 1.932.094
- Caporezzo (PL): R$ 1.100.000
- Tito Torres (PSD): R$ 900.000
- Hely Tarquinio (PV): R$ 800.000
- João Vitor Xavier (Cidadania): R$ 450.000
- Doutor Jean Freire (PT): R$ 280.000
- João Magalhães (PSD): R$ 250.000
- Charles Santos (Republicanos): R$ 210.370
- Antônio Carlos Arantes (PL): R$ 200.000
- Carlos Henrique (Republicanos): R$ 200.000
- Eduardo Azevedo (PL): R$ 190.000
- Chiara Biondini (PL): R$ 150.000
- Beatriz Cerqueira (PT): R$ 100.000
- Zé Guilherme (PP): R$ 100.000
- Mauro Tramonte (Republicanos): R$ 25.000
2024
- Bruno Engler (PL): R$ 3.505.000
- Vitório Júnior: R$ 2.850.000
- Mauro Tramonte (Republicanos): R$ 1.076.000
- Chiara Biondini (PL): R$ 1.000.000
- Sargento Rodrigues (PL): R$ 964.950
- Marli Ribeiro (PL): R$ 890.000
- Maria Clara Marra (PSDB): R$ 830.000
- João Vitor Xavier (Cidadania): R$ 740.000
- Caporezzo (PL): R$ 670.000
- Eduardo Azevedo (PL): R$ 670.000
- Lohanna (PV): R$ 630.000
- Leleco Pimentel (PT): R$ 585.000
- Andreia de Jesus (PT): R$ 520.000
- Rodrigo Lopes (União Brasil): R$ 500.000
- Arnaldo Silva (União Brasil): R$ 470.000
- Tito Torres (PSD): R$ 400.000
- Betão (PT): R$ 370.000
- Delegado Christiano Xavier (PSD): R$ 370.000
- Douglas Melo (PSD): R$ 370.000
- Adriano Alvarenga (PP): R$ 190.000
- Doorgal Andrada (PRD): R$ 150.000
- Bim da Ambulância (Avante): R$ 100.000
- Coronel Henrique (PL): R$ 100.000
- Coronel Sandro (PL): R$ 100.000
- Enes Cândido (Republicanos): R$ 100.000
- Antônio Carlos Arantes (PL): R$ 86.152
- Mario Henrique Caixa (PV): R$ 80.000
- Arlen Santiago (Avante): R$ 70.000