Ex-deputado mineiro contratou empresa de influencer preso por forjar o próprio assalto; Assembleia pagou por serviços

De acordo com dados abertos da Casa, Lincoln Drumond (PL) pediu ressarcimento de R$ 26,6 mil por acordos com Luan Lennon
O influenciador Luan Lennon
Influenciador Luan Lennon é acusado de ter forjado assalto. Foto: Reprodução

O ex-deputado estadual mineiro Lincoln Drumond (PL) contratou a LF Marketing Empresarial para prestação de serviços na área de “consultoria, assessoria e pesquisa”. A empresa tem como sócio-administrador Luan Lennon Camacho Braga Oliveira, o influencer Luan Lennon, preso no Rio de Janeiro (RJ), no último dia 8, por forjar o próprio assalto. 

Segundo os dados abertos da Casa, a Assembleia ressarciu Lincoln Drumond em R$ 26,6 mil pelos serviços prestados pela empresa de Luan Lennon. Foram cinco notas fiscais cadastradas no sistema, entre novembro do ano passado e março deste ano. Quatro delas são no valor de R$ 6 mil. A última totaliza R$ 2,6 mil. 

O ex-parlamentar do PL foi o único integrante do Legislativo Estadual a fechar acordo com a LF. A parceria envolveu o uso de páginas administradas por Lennon no Instagram para impulsionar, por meio de posts em conjunto, publicações feitas pelo perfil de Drumond.

Ex-vereador de Coronel Fabriciano, no Vale do Rio Doce, Drumond assumiu mandato como suplente no ano passado. Ele perdeu a cadeira — conquistada pela eleição de Coronel Sandro (PL) para a Prefeitura de Governador Valadares — após a deputada estadual Alê Portela (PL) deixar a Secretaria de Desenvolvimento Social de Minas Gerais (Sedese) e retornar à Assembleia, em março deste ano, para tentar a reeleição. 

Em nota enviada à reportagem, Lincoln Drumond informou que a contratação da empresa “ocorreu de forma legítima, transparente e pautada em critérios técnicos e profissionais”. 

O ex-deputado esclareceu que representantes da empresa o procuraram em 2023 e 2024, mas não houve contratação à ocasião porque “os serviços apresentados naquele momento ainda não atendiam plenamente às necessidades do mandato”.

O posterior acordo no âmbito da Assembleia, segundo Drumond, aconteceu “diante da evolução da empresa, da ampliação da estrutura profissional e da qualidade dos serviços entregues”.

“Importante destacar que a empresa não se resume à figura de um único integrante. […] Se houve qualquer erro por parte do proprietário da empresa, os fatos devem ser devidamente apurados pelas autoridades competentes, cabendo aos responsáveis responder por seus atos na forma da lei”, esclareceu o ex-parlamentar da Assembleia.

Posts em conjunto

De acordo com Drumond, o gabinete dele adquiriu o plano ouro oferecido pela LF Marketing Empresarial Ltda. Esse pacote de serviços inclui a oferta de “20 postagens ou collabs por mês nas maiores páginas de apoio no Brasil”.

Durante o período de contratação, entre novembro de 2025 e março deste ano, Lincoln Drumond realizou postagens em parceria com perfis e jornais alinhados à direita, diretórios partidários do PL no interior e até contas de apoio ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

A pessoa jurídica de Luan Lennon tem a alcunha “LF Empresarial” como nome fantasia. Segundo a Receita Federal, a firma, que tem capital social de R$ 50 mil, realiza atividades de consultoria empresarial, publicidade, promoção de vendas e treinamento profissional.

A prisão do influencer

Conhecido nas mídias sociais por denunciar flanelinhas, Luan Lennon tem cerca de 1 milhão de seguidores no Instagram. Ele foi preso na madrugada da última sexta-feira (8) ao forjar o roubo de um celular em uma gravação de vídeo, nas proximidades da Praça da República, Centro do Rio de Janeiro, segundo informações da CNN Brasil.

De acordo com a PM, imagens de câmeras de segurança flagraram que o celular de cor branca furtado divergia das características do aparelho da Xiaomi em posse de Luan Lennon. O acusado do crime afirmou que era usuário de drogas, que teria recebido R$ 30 para pegar um aparelho semelhante em um carro próximo ao local. Esse dispositivo, no entanto, era da marca iPhone. 

A polícia, então, prendeu Luan Lennon por falsa comunicação de crime e simulação de flagrante. 

Em nota enviada à CNN, a Polícia Civil do Rio informou que após trabalho investigativo, os agentes identificaram que se tratava de um crime forjado e que com base nas apurações, os policiais realizaram diligências que resultaram na identificação de outras duas pessoas envolvidas no esquema. Os três foram ouvidos e autuados em flagrante pelo crime de denunciação caluniosa.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

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