A possível desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB) da disputa pelo governo de Minas Gerais provocou apreensão dentro do PT mineiro e acelerou a busca por alternativas para garantir um palanque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Sem definição sobre os rumos da sucessão estadual e ainda à espera de uma sinalização de Lula, dirigentes passaram a tratar o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) como principal esperança para reorganizar a esquerda em Minas, apesar da resistência histórica do próprio ex-prefeito a uma aproximação antecipada com o PT.
Nesta semana, uma reunião entre a presidente estadual do PT, Leninha, os deputados federais Rogério Correia e Reginaldo Lopes e integrantes da direção estadual do partido, expôs o tamanho da indefinição interna. Segundo relatos feitos a O Fator, até representantes ligados ao presidente do PT, Edinho Silva, admitiram não haver, até o momento, nova reunião nacional marcada para discutir os rumos da sucessão mineira.
Integrantes do partido admitem que o PT mineiro atravessa um momento de desorientação política diante do enfraquecimento da candidatura de Pacheco e segue aguardando uma definição de Lula para reorganizar o cenário eleitoral de 2026.
Com isso, lideranças da federação formada por PT, PCdoB e PV passaram a intensificar conversas em torno de Kalil. Integrantes do PDT afirmaram à reportagem que o grupo de Edinho pretende abrir diálogo com o ex-prefeito e já comunicou aliados sobre a intenção de iniciar as conversas. Ainda não há data definida para o encontro, mas interlocutores afirmam que a movimentação deve ocorrer entre esta semana e a próxima.
Segundo integrantes do partido de Kalil, a possível saída de Pacheco já era considerada internamente como um “cenário provável”. A avaliação compartilhada é de que o ex-prefeito precisaria apenas de uma demonstração concreta de interesse político para abrir diálogo sobre uma eventual participação no palanque de Lula.
Nenhum convite oficial chegou até Kalil, e o ex-prefeito disse a integrantes de seu entorno que classifica as investidas como “boatos”, embora admita que grupos ligados ao PT já começaram a fazer pressão para atraí-lo para a disputa.
A aflição com Kalil e o fantasma de 2022
Apesar de Kalil ter virado a principal aposta de parte do campo lulista para reorganizar a disputa em Minas, a possibilidade de uma aproximação com o ex-prefeito ainda provoca apreensão no PT
Integrantes da legenda lembram que, mesmo após a aliança formal em 2022, a relação entre Kalil e Lula nunca voltou ao mesmo nível de proximidade depois da derrota para Romeu Zema (Novo). O desgaste político e o distanciamento entre os dois ainda são tratados internamente como obstáculos para uma composição mais sólida em 2026.
A avaliação de aliados petistas é de que o histórico recente pode dificultar uma reaproximação direta justamente no momento em que o partido tenta reconstruir um palanque competitivo em Minas. O incômodo aumentou após episódios de afastamento político nos últimos anos. Em 2024, por exemplo, Kalil recusou um convite para um jantar reservado com Lula em Belo Horizonte durante as articulações eleitorais na capital mineira.
Além disso, interlocutores do ex-prefeito lembram que Kalil já sinalizou preferência por discutir eventual apoio do PT apenas em um possível segundo turno, posição que segue gerando desconforto em setores da esquerda e alimenta dúvidas sobre a disposição dele em se vincular desde já ao projeto nacional petista.
Outras opções
A federação formada por PT, PV e PCdoB também iniciou discussões sobre alternativas para a sucessão mineira. Representantes da coalizão disseram a O Fator que a orientação é ampliar as conversas com outros nomes do campo democrático-progressista. Além de Kalil, aparecem no radar das articulações os nomes de Gabriel Azevedo (MDB), Josué Gomes (PSB), Marília Campos (PT) e Jarbas Soares Júnior (PSB).
Sem fim
Embora o cenário seja de apreensão, integrantes do partido de Rodrigo Pacheco afirmam que ainda não desistiram da candidatura. Dirigentes do PSB avaliam que o senador apresentou a emissários de Lula uma série de condições políticas para aceitar o convite presidencial. Caso as demandas não sejam atendidas, ele deve permanecer fora do processo eleitoral.
Sem um nome consolidado para a sucessão estadual, a expectativa dos petistas mineiros é que Lula reassuma as articulações e, assim como fez com Pacheco, abra conversas diretamente com o nome considerado mais competitivo para a disputa em Minas.