O relatório final da CPMI do INSS, de autoria do deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) e distribuído nesta sexta (27), pede o indiciamento de Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), alvo de fase da Operação sem Desconto no ano passado, por quatro crimes: organização criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato-desvio.
Para Gaspar, “é evidente o patrocínio estratégico e político do parlamentar [Pettersen] em relação à organização criminosa [na Conafer], por meio de participação em eventos, destinação de emendas e declarações públicas”.
O relatório ainda não foi votado – portanto, o pedido não está valendo.

No capítulo em que pede o indiciamento, Gaspar acrescentou que Pettersen tinha “posição de liderança política proeminente e [era o] principal beneficiário de vantagens indevidas dentro da organização criminosa (ORCRIM) que operava na CONAFER”.
Segundo o texto, Pettersen “atuava como o canal de acesso de Carlos Roberto Lopes [presidente da Conafer] à cúpula do INSS, influenciando diretamente a indicação de nomes para cargos estratégicos, como a Diretoria de Benefícios, visando blindar o esquema de descontos indevidos contra fiscalizações internas”.
Ainda segundo o relatório da CPMI, “[r]elatório da Polícia Federal detalhou que o indiciado recebeu o montante de R$ 14.700.000,00 de investigados nas fraudes do INSS em razão de sua atuação como intermediador de acesso político a agentes com poder de decisão sobre nomeações na autarquia previdenciária”.
Para Gaspar, “[a]o converter o mandato legislativo em um instrumento de proteção a um esquema que subtraiu bilhões de reais de aposentados vulneráveis, o indiciado praticou uma grave traição aos deveres funcionais e éticos, tornando sua responsabilização penal indispensável para a reparação das vítimas”.
O relatório também pediu o indiciamento de dois ex-assessores do gabinete de Pettersen; ambos deixaram o gabinete em 2023.
A assessoria de imprensa de Pettersen, que está licenciado, não respondeu imediatamente ao contato de O Fator.
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