As paisagens de Araçuaí, Itinga e Salinas, no Vale do Jequitinhonha, já dão forma a uma das principais iniciativas da gestão do ex-governador Romeu Zema (Novo): o Vale do Lítio. Desde 2023, quando o projeto foi criado, novas mineradoras se instalaram na região, iniciando uma corrida por volumes de produção, investidores, licenciamento ambiental e bom relacionamento com comunidades.
Atualmente, as únicas mineradoras de lítio operantes no Jequitinhonha são a ainda pequena Companhia Brasileira de Lítio (CBL) — criada em 1985 — e a Sigma Lithium, a maior do setor no país. Em volta delas, no entanto, uma série de empresas preparam planos de instalação, como a australiana PLS e as iniciantes Lithium Ionic, Atlas Lithium e M4E Lithium.
Nesse cenário, até a gigante australiana Rio Tinto aparecia como investidora. No início deste ano, contudo, a companhia vendeu os direitos minerários que possuía para a compatriota Solis Minerals.
Se em números o setor ainda é pouco representativo na economia mineira – a Sigma Lithium, por exemplo, teve no ano passado faturamento líquido de US$ 110 milhões – nos bastidores, o mercado é agitado.
A seguir, O Fator detalha diferentes negociações envolvendo mineradoras que miram o Vale do Lítio
PLS busca adquirir projeto da Lithium Ionic
A PLS discute há meses com a canadense Lithium Ionic a compra de um projeto da mineradora em Salinas.
A aquisição é vista por executivos como oportuna, já que os projetos das duas mineradoras estão a poucos metros de distância.
Uma das razões para o negócio ainda não ter avançado é a disputa judicial no Canadá sobre os reais proprietários de projetos da Lithium Ionic. Atuais diretores da empresa são acusados de desviarem, em favor da empresa, direitos minerários de uma mineradora onde trabalhavam.
Controvérsia internacional
A Lithium Ionic também esteve no centro de outra acusação.
A americana Atlas Lithium acionou em julho do ano passado a Polícia Civil, acusando um gerente da consultoria RTEK, sediada em Dubai, de roubar sua tecnologia de concentração.
A empresa emirati prestava serviços para a Atlas até o início do ano passado, mas o contrato foi encerrado após divergências entre as partes. Poucas semanas depois, a RTEK fechou um acordo com a Lithium Ionic.
Os investigadores, no entanto, não encontraram materiais que comprovassem a acusaçãoe o Ministério Público sugeriu o arquivamento do processo, que em maio foi classificado como transitado em julgado.
Sigma enfrenta dificuldades para ampliar exportação
Apesar de ser a mineradora com a maior capacidade de produção do setor no país, a Sigma Lithium tem tido problemas em extrair e vender o espudêmio, como é chamado o mineral que contém o lítio
A mineradora fez em junho sua primeira exportação mensal acima de mil toneladas deste ano.
Na ocasião, foram exportadas 24 mil toneladas de espodumênio e óxido de lítio (outro nome dado ao produto da Sigma). Ao todo, a mineradora planeja produzir anualmente 240 mil toneladas.
Até então, a Sigma vinha enviando ao exterior apenas finos de lítio, um produto com menor teor de lítio.
As dificuldades, segundo pessoas a par do assunto, se explicam pelo atraso no pagamento de prestadores de serviços e pela interdição de pilhas de estéril e rejeito pelo Ministério do Trabalho e Emprego no final do ano passado.
CBL quer substituto para indianos
A CBL pode anunciar no próximo mês a chegada de um novo parceiro para investir na expansão de sua refinaria.
Como O Fator mostrou, o negócio seria feito inicialmente com uma empresa indiana, mas complicações com um banco de desenvolvimento da Índia melaram a venda.
Errata: Versão anterior deste texto dizia que a Sigma exportou, em junho, 9 mil toneladas de espodumênio. No mesmo mês, no entanto, a mineradora também exportou 15 mil toneladas de óxido de lítio. Ao todo, portanto, as exportações da empresa somaram 24 mil toneladas.