O presidente nacional do PT, Edinho Silva, cumpre agenda em Minas Gerais neste fim de semana para participar dos primeiros atos da pré-candidatura da ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), ao Senado Federal. A passagem pelo estado será marcada, segundo apuração de O Fator, por cobranças e expectativas frustradas.
O cenário é de impasse na definição da chapa majoritária – e não por desejo dos petistas mineiros. Um dos movimentos previstos pelo dirigente era um encontro com o senador Rodrigo Pacheco (PSD), o que não deve ocorrer. O esperado é o que parlamentar permaneça em Brasília (DF) durante o fim de semana. Na capital federal, ele conduz articulações sobre seu futuro partidário e eleitoral.
Pacheco é o nome preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para disputar o governo de Minas nas eleições deste ano. Apesar disso, ainda não definiu a qual legenda vai se filiar e tampouco bateu o martelo sobre a candidatura. De saída do PSD, que tem o governador Mateus Simões como pré-candidato à reeleição, Pacheco tem até 4 de abril para definir a nova casa.
PSB e MDB estão entre as siglas em discussão. Nos bastidores, interlocutores afirmam que o senador cobra estrutura partidária para ele e seu grupo. A expectativa era de que ele apresentasse sinais mais claros sobre seu futuro político até esta semana, o que não se confirmou. E, mesmo que se filie a uma dessas legendas, a decisão sobre eventual candidatura ao governo deve ficar para o fim do semestre.
A indefinição e a falta de perspectiva têm provocado incômodo entre lideranças do PT em Minas. Integrantes do partido avaliam que foram excluídos das articulações e cobram por resoluções. O estado é considerado estratégico por concentrar o segundo maior colégio eleitoral do país, o que torna a montagem de um palanque competitivo decisivo para o projeto de reeleição de Lula.
A cúpula nacional do PT trata o MDB como plano A para Pacheco, por considerar a legenda como mais capaz de oferecer tempo de televisão e estrutura. Os emedebistas, contudo, têm Gabriel Azevedo como pré-candidato ao Executivo estadual. O PSB, por seu turno, estendeu o tapete vermelho ao senador, que foi a estrela de um jantar institucional promovido pela agremiação na quarta-feira (25).
Cobranças e falta de perspectiva
Nesse contexto, Edinho chega a Minas Gerais sem respostas consolidadas sobre a composição da disputa ao governo estadual e já preparado para ouvir as queixas dos petistas, que não são poucas. A participação de Marília Campos na corrida ao Senado é o único ponto pacificado no grupo político.
O evento, marcado para domingo (29), acontecerá três dias após ela transferir o comando do Executivo municipal para o vice, Ricardo Faria, do PSD.
Dirigentes também discutem cenários alternativos caso Pacheco não entre na disputa. Entre as possibilidades está o lançamento de um nome próprio do PT, ainda que haja resistência interna à ideia de uma candidatura considerada de menor competitividade. Outra hipótese envolve uma eventual aliança com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, hoje pré-candidato pelo PDT.
A expectativa entre lideranças locais é que Edinho atue para reduzir as tensões internas e reforce o engajamento do partido na candidatura de Marília. A visita também marca a retomada do diálogo direto com o diretório mineiro. Desde o fim do ano passado, Edinho cancelou ao menos três agendas com lideranças do PT no estado.
As conversas de 2026 têm ocorrido de forma individualizada, durante encontros ocasionais com lideranças mineiras, ou virtualmente, como em uma reunião em 10 de março. À ocasião, Edinho chegou a manifestar, a integrantes da Executiva mineira do PT, confiança no aceite de Pacheco ao convite de Lula.