Os passos de Pacheco: acerto de filiação, vitrine com Lula, testes no estado e, por fim, resposta sobre disputa em Minas

Comunicado sobre filiação ao PSB deve sair antes do feriado; depois, estratégia prevê agendas com Lula e organização partidária
O senador Rodrigo Pacheco durante sessão no Senado
O senador Rodrigo Pacheco é o nome escolhido por Lula para disputar o governo de Minas. O parlamentar, contudo, ainda vai decidir sobre o convite. Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Às vésperas de oficializar a entrada no PSB, o movimento do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) já deve vir acompanhado de uma mudança de tom: maior proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ampliação das agendas políticas. O gesto mira testar o cenário e medir o termômetro antes de decidir sobre a corrida ao governo de Minas Gerais.

Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, após adiar ao máximo a decisão sobre a filiação até próximo do limite do prazo, a saída de Pacheco do PSD para os quadros socialistas deve ser oficializada por meio de comunicado até quinta-feira (2), antes do feriado.

O dia 4 é o prazo final da Justiça Eleitoral para que o senador esteja filiado à legenda que queira disputar as eleições. A avaliação é de que a ida do parlamentar para o PSB apenas não irá se concretizar se houver uma mudança significativa de cenário por parte do MDB.

Nas negociações anteriores com os emedebistas, o principal impasse foi o comando do diretório estadual, hoje com o deputado federal Newton Cardoso Jr. A sigla também conta com um pré-candidato ao governo do estado.

A expectativa é de que, no PSB, haja maior autonomia na condução partidária, com flexibilidade do controle interno assegurado, ainda que sem a formalização do cargo de presidente. Atualmente, o partido no estado é comandado pelo prefeito de Conceição do Mato Dentro, Otacílio Costa.

Pelo que apurou a reportagem, o intuito é que o processo seja conduzido em etapas. Primeiro, a filiação. Depois, conversas internas sobre a organização interna na legenda visando estrutura partidária para 2026. O mandato da executiva atual, de um ano, se encerra em 13 de maio deste ano.

Decisão sobre Minas

Ainda tratado como um processo em etapas, o último passo será a decisão central: se Pacheco vai aceitar ou não o convite do presidente para disputar o governo mineiro. Após a filiação, o calendário eleitoral fixa 5 de agosto como prazo final para que os partidos realizem convenções e deliberem sobre as candidaturas no pleito deste ano.

Para essa definição, além de levantamentos internos e de garantias a serem dadas por Lula para a disputa, tanto em cenário de vitória quanto de derrota do senador, a estratégia inclui ampliar a presença ao lado do presidente em agendas públicas, reuniões com prefeitos, deputados e lideranças do Partido dos Trabalhadores, além de intensificar a exposição nas redes sociais.

O movimento busca medir o ambiente político e a receptividade a uma eventual candidatura ao governo estadual, além de indicar qual deve ser o tom da pré-campanha adotado por outros nomes no estado. Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e tem peso relevante na estratégia de reeleição de Lula.

Mas essa indefinição e a falta de perspectiva de quando virá a decisão sobre a candidatura ao comando do estado também têm provocado incômodo entre lideranças do PT em Minas. Integrantes do partido avaliam que, desde o primeiro momento, ficaram fora das articulações e cobram uma definição, mesmo diante da certeza de que esse impasse ainda deve se prolongar.

O receio do grupo, que além da reeleição presidencial precisa organizar as chapas para a Assembleia Legislativa (ALMG) e para a Câmara dos Deputados, é de que o senador desista da disputa e a legenda fique sem alternativa competitiva ao governo e, diante disso, teria que “sacrificar” um nome para apenas marcar território do PT no estado.

Anúncios do PSB

Nos últimos dias, o PSB dividiu em etapas anúncios, como o lançamento da pré-candidatura de Simone Tebet ao Senado por São Paulo, no sábado (28), e a confirmação de Geraldo Alckmin (PSB) como vice na chapa de reeleição de Lula, nesta terça-feira (31). O partido, chefiado pelo prefeito de Recife (PE), João Campos, tem sido uma espécie de “abrigo” para aliados do presidente.

Como mostrou O Fator, a decisão de Pacheco de não anunciar sua filiação à sigla durante jantar, na última semana, em Brasília, com caciques do partido e filiados, frustrou a delegação mineira que viajou para o encontro. No dia, ele fez um breve discurso e disse ter recebido deles o convite mais sedutor para as eleições, além de afirmar que atuará para fazer do PSB o maior partido de Minas.

Em Minas, o PSB também já abriga pré-candidatos a deputado federal da “chapa municipalista”, como ficou conhecido o grupo liderado pelo ex-prefeito de Moema (Região Central) e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Julvan Lacerda. Ele, inclusive, é aliado de Pacheco.

Nos últimos meses, o grupo manteve conversas com ao menos nove partidos. O PSB levou a melhor por não ter representantes na Câmara dos Deputados. Essa era uma das principais condições buscadas pela coalizão. Além de Julvan Lacerda, a “chapa municipalista” é composta por outros oito nomes.

Pacheco e União Brasil

Antes de encaminhar a filiação ao PSB, Pacheco também manteve conversas com o União Brasil. Em fevereiro, ele articulou a escolha do deputado federal Rodrigo de Castro para o comando da sigla em Minas, mas esbarrou na federação do partido com o PP, que já havia firmado acordo para apoiar a chapa de Mateus Simões (PSD) ao governo e Marcelo Aro (PP) ao Senado.

Como lideranças do PP defendem apoio a Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, o projeto de usar a legenda como palanque para Lula não se sustentou, o que levou Pacheco a conversas com outras legendas.

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