O que Pacheco e PSB preparam para a noite de filiação do senador em Brasília

Sem tempo para preparar um “evento grandioso” em termos de estrutura, partido aposta na força dos nomes presentes no ato
O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) cumprimenta o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.
Após definir a filiação, o presidente Lula tentará convencer o senador Rodrigo Pacheco a disputar o governo de Minas Gerais. Foto: Pedro Gontijo/Senado Federal

O ato de filiação do senador Rodrigo Pacheco ao PSB será realizado na noite de quarta-feira (1º), na sede do partido, em Brasília. Segundo interlocutores, o objetivo não é fazer um evento “grandioso” em termos de estrutura, até pela pouca margem de tempo para organizá-lo, já que o parlamentar comunicou a decisão nesta terça-feira (31). A intenção, porém, é demonstrar relevância política com os nomes presentes.

Como O Fator mostrou, a expectativa é a de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) compareça ao ato ou se encontre com o parlamentar no mesmo dia. Ele foi o principal articulador da saída do ex-presidente do Senado do PSD para os quadros socialistas. Esse, inclusive, é um dos motivos de o ato ser realizado à noite, para que o petista e outras lideranças possam comparecer fora do expediente.

A Justiça Eleitoral fixa o prazo final em sábado (4) para que os políticos estejam filiados aos partidos pelos quais desejam disputar as eleições. Aliados de Pacheco dizem que, se pudesse, o senador arrastaria a decisão até o limite. Mas, por ser semana de feriado, a capital federal fica esvaziada a partir de quinta-feira (2), e a realização de um evento em Minas, com quadros nacionais, seria inviável. 

O encontro partidário deve contar com as presenças do presidente nacional da sigla e prefeito do Recife, João Campos; do vice-presidente, Geraldo Alckmin; da pré-candidata ao Senado por São Paulo e ex-ministra de Planejamento, Simone Tebet, que se filiou à sigla no sábado (28), além de outros quadros do governo e lideranças mineiras. Após o ato político, eles devem se reunir em um jantar reservado. 

No encontro, o senador deve fazer um discurso semelhante ao que foi feito na última semana, quando participou de jantar com nomes do PSB, mas não cravou a filiação. Na ocasião, ele disse ter recebido da legenda o convite mais sedutor para as eleições, além de afirmar que atuará para fazer do PSB o maior partido do estado. Ele também deve ressaltar sobre a importância da democracia e de Minas para o país. 

As negociações no PSB se deram em nível nacional, principalmente em função de articulações de Lula. Nesse cenário, Pacheco também terá pela frente o desafio de se aproximar do partido no estado. O esperado é que ele tenha maior autonomia na condução partidária, ainda que sem ocupar formalmente a presidência da legenda nesta chegada à agremiação.

Atualmente, o PSB em Minas é comandado pelo prefeito de Conceição do Mato Dentro, Otacílio Costa. Contudo, o mandato da executiva atual, de um ano, se encerra em maio deste ano, e o ex-presidente do Senado poderia assumir o comando. Ele já conta com nomes do seu grupo político filiados à sigla. 

Para depois

Agora, a decisão do senador sobre se será candidato ao governo de Minas, com apoio de Lula, deve se arrastar até o segundo semestre. O prazo para as convenções partidárias, que definem os candidatos, vai de 20 de julho a 5 de agosto. Essa demora tem deixado petistas mineiros preocupados com qual seria o “plano B” da legenda no estado, caso Pacheco decline do convite.

Como mostrou a reportagem, além de levantamentos internos e garantias de Lula para cenários de vitória ou derrota no pleito, o cálculo de Pacheco para decidir se entrará na disputa inclui ampliar a presença ao lado do presidente em agendas públicas, realizar encontros com prefeitos, deputados e lideranças aliadas, além de intensificar a exposição nas redes sociais.

O objetivo é medir a receptividade a uma eventual candidatura ao governo mineiro, segundo maior colégio eleitoral do país e peça relevante na estratégia de reeleição de Lula. Outro ponto a ser observado é o tom da pré-campanha adotado por outros nomes na disputa pelo Palácio Tiradentes. A partir desse diagnóstico, Pacheco decidirá seu futuro.

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