O advogado Mauro Teixeira Biondini foi indicado pelo governo de Minas Gerais para ser reconduzido como suplente ao Conselho Fiscal da Companhia Energética (Cemig). Aos 28 anos, ele é irmão da deputada estadual Chiara Biondini (PP) e filho do deputado federal Eros Biondini (PL).
A indicação para o novo mandato, que se estende até 2028, ocorre pouco mais de um mês após o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) arquivar uma apuração que questionava a conformidade de sua indicação com base na Lei das Estatais.
A legislação estabelece critérios rigorosos, como qualificação técnica e tempo de atuação, para barrar o uso político de cargos em companhias públicas.
O entendimento da promotora Luciana Kellen Santos Pereira Guedes, que embasou o arquivamento, é que o Conselho Fiscal não estaria sujeito aos mesmos impedimentos aplicados a diretores e conselheiros de administração. Segundo a decisão, o colegiado apenas fiscaliza os atos da gestão, o que permitiu o aval ao nome de Biondini.
“Enquanto o Conselho de Administração, no qual a legislação impõe expressamente impedimentos previstos no art. 17, § 2º, da Lei n.º 13.303/2016, exerce gestão da empresa e pode, inclusive receber outras atribuições de gestão delegadas da Assembleia Geral; o Conselho Fiscal é órgão societário que não exerce gestão da empresa, não se envolve nos atos de gestão, nas decisões e nos negócios da companhia, não se qualificando como parte da administração da empresa”, diz a decisão.
O currículo do advogado apresentado à Cemig está concentrado nos últimos cinco anos.
Formado em 2021, ele registra no histórico profissional passagens como assessor na Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemge) e do vereador Cláudio do Mundo Novo, do mesmo partido do pai e da irmã, além de experiências como estagiário. Fora da esfera pública, mantém sociedade em um escritório aberto em 2022.
A recondução de Mauro aos quadros do governo de Minas em 2025 ocorre após um hiato. Em 2024 ele foi exonerado do cargo de assessor da Codemge, coincidindo com o período em que a irmã, Chiara, votou contra as diretrizes do Executivo estadual em pautas salariais na Assembleia Legislativa.