Maior acionista privado da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), os Fundos Perfin têm a intenção de usar o edital de desestatização para ampliar a participação na empresa. O Fator apurou que, apesar do objetivo, a Perfin não entrará na disputa para ocupar o posto de investidor de referência da companhia.
O modelo mais provável para a privatização prevê a entrega a um parceiro estratégico, com know-how no saneamento, de 30% dos 50,03% detidos pelo governo estadual na Copasa. Outros 15% devem ser postos para disputa livre no mercado, com o Executivo estadual mantendo 5%. São esses 15% que a Perfin pretende disputar.
Segundo soube a reportagem, a ideia é adquirir uma fatia importante desse percentual. Hoje, os fundos ligados ao grupo detém 15,25% da Copasa, em movimento de expansão gradativa iniciado em setembro do ano passado.
A estratégia para a Copasa é um pouco diferente da engrenagem seguida pela Perfin em outros processos de desestatização de empresas de saneamento. O grupo foi sócio da Aegea, empresa do setor hídrico, na privatização da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), em 2022. À época, a oferta girou em torno de R$ 4,15 bilhões.
Apesar de o acordo com um parceiro de referência ser tido como muito provável por players a par do processo de privatização da Copasa, o modelo desenhado pelo ex-governador Romeu Zema (Novo) em janeiro — e posteriormente aprovado pelos demais acionistas — contempla uma espécie de plano B.
Esse cenário transformaria a estatal em uma corporação, com a pulverização das ações e autorização para o poder Executivo negociar a totalidade de seus títulos.
Evolução da participação
Os atuais 15,25% dos Fundos Perfin são compostos por 29,4 milhões de papéis ordinários, que correspondem a 7,74% do capital social. Existem, ainda, derivativos referenciados em 27,9 milhões de títulos, garantindo mais 7,18% de participação. Adicionalmente, há percentual residual de 0,34%, lastreado em 1,2 milhão de ações ordinárias alugadas.
Em setembro de 2025, a Perfin passou a ser responsável por 5,01% do capital da Copasa. Posteriormente, elevou o índice para 9,61%. Em dezembro, alcançou 12,31%, chegando aos 15,25% na semana passada.
Decreto sobre blocos regionais foi passo importante
O governo de Mateus Simões (PSD) espera concluir o processo de privatização da Copasa no mês que vem. Na sexta-feira (10), o Palácio Tiradentes deu um passo tido como importante ao publicar decreto disciplinando o trâmite para a adesão dos municípios mineiros aos blocos regionais de gestão de resíduos e distribuição hídrica.
A regionalização do saneamento é parte importante do processo de privatização. O estabelecimento dos blocos ajuda, por exemplo, em negociações para a renovação de acordos de concessão com prefeituras.
A gestão estadual deseja utilizar os recursos arrecadados com a privatização no cumprimento de políticas públicas exigidas pela União como contrapartida a adesão ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). Obras de infraestrutura compõem o caderno de encargos.
