Odair Cunha, do PT de Minas, é eleito pela Câmara como novo ministro do TCU

A candidatura do parlamentar mineiro era apoiada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta; votação ocorreu nesta terça-feira (14)
O deputado federal Odair Cunha durante gravação de podcast.
O deputado federal mineiro Odair Cunha (PT) vai ocupar a vaga de Aroldo Cedraz na Corte de Contas. Ele se aposentou do TCU em fevereiro deste ano. Foto: Ramon Marques / Ascom Odair Cunha

Após meses de negociações e incertezas, o deputado federal mineiro Odair Cunha (PT) foi eleito pelo plenário da Câmara Federal, na noite desta terça-feira (14), como novo ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). O petista precisava de maioria simples dos presentes, em votação secreta, e conseguiu 303 votos dos 456 parlamentares presentes.

Ele desbancou outros quatro concorrentes que apresentaram candidaturas nas últimas semanas. Odair assumirá a vaga de indicação da Câmara no TCU que pertencia a Aroldo Cedraz, que se aposentou compulsoriamente, em fevereiro deste ano, ao completar 75 anos.

Da centro-direita, disputaram Danilo Forte (PP-CE), Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Gilson Daniel (Podemos-ES) e Hugo Leal (PSD-RJ). Do campo da oposição, as deputadas Adriana Ventura (Novo-SP) e Soraya Santos (PL-RJ) abriram mão do pleito pouco antes da votação.

A articulação do PL e Novo foi feita para centralizar os votos a favor de Elmar Nascimento. O pedido de “voto útil contra o PT” para o nome do União Brasil foi feito por líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ). O partido conta com 92 deputados, a maior bancada da Casa.

A articulação, contudo, não surgiu o efeito esperado na urna. Elmar recebeu 96 votos. Em seguida, apareceram na contagem de votos: Danilo Forte com 27; Hugo Leal com 20; e Gilson Daniel com 6 votos. Outros quatro parlamentares votaram em branco.

O nome do escolhido será formalizado em Projeto de Decreto Legislativo (PDL) e ainda precisará ser confirmado pelo Senado – onde também precisa de maioria simples. Após isso, a matéria seguirá para promulgação.

Articulações

A eleição é vista nos bastidores não apenas como vitória dos governistas, mas como um triunfo pessoal do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), principal fiador da candidatura.

Até esta terça-feira, Motta enfrentou desgaste por manter a escolha do petista, fruto de um acordo firmado em 2024. Ao disputar o comando da Casa, em fevereiro do ano passado, ele contou com apoio do PT para ser eleito e se comprometeu a indicar um nome do partido ao TCU.

O fator político-eleitoral, com presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concorrendo à reeleição neste ano, entrou na equação. A oposição queria evitar que o TCU contasse com um nome governista, principalmente em um cenário em que o petista seja reeleito.

Diante desse cenário, Motta fez questão de ressaltar após a votação que, nos últimos 20 anos, período em que ocorreram quatro votações de indicados da Casa para o TCU, nenhum dos vencedores alcançou 257 votos, número que corresponde a dois terços do Legislativo, e todos foram eleitos por maioria simples.

Distribuição de vagas

As vagas do TCU são divididas igualmente entre indicações do Senado, da Câmara dos Deputados e da Presidência da República, com três cadeiras para cada. A reposição de vagas segue regra de vinculação: cada vacância deve ser ocupada por indicação do mesmo ente responsável pela nomeação anterior.

Odair é o segundo mineiro no tribunal, que já conta com o ex-governador e ex-senador Antonio Anastasia, indicado pelo Senado em dezembro de 2021 para a vaga. A próxima cadeira surgirá apenas em outubro de 2027, quando o ministro Augusto Nardes, ex-deputado federal pelo Rio Grande do Sul, atingirá a idade para aposentadoria compulsória.

Cadeira de Odair na Câmara

Como mostrou O Fator, o ex-deputado estadual Glaycon Franco (PSDB) pode ganhar uma cadeira na Câmara dos Deputados nesta reta final da legislatura. Com a vitória de Odair Cunha para o cargo de ministro do TCU, o tucano assumiria a vaga até fevereiro de 2027, quando um novo ciclo se inicia. 

Ex-quadro do PV, Glaycon recebeu 59.818 votos em 2022 e ficou como primeiro suplente da federação formada por petistas, verdes e pelo PCdoB. Com a saída de Odair do Legislativo, ele herdaria a cadeira mesmo após migração para o PSDB durante a última janela partidária. 

Em rápido contato com O Fator, Glaycon confirmou que tentará voltar à Assembleia na eleição deste ano e disse aguardar com ansiedade o mandato relâmpago. “Estou bastante esperançoso de que isso aconteça”, afirmou, sobre a possibilidade de substituir o petista.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

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