MPF vai investigar impactos da Linha 2 do metrô de BH sobre comunidade tradicional de matriz africana

Laudo técnico aponta possível perda de área considerada sagrada por terreiro localizado no bairro Nova Cintra
Investigação do MPF mira efeitos da expansão do metrô sobre terreiro em BH. Foto: Divulgação/Metrô BH

Ministério Público Federal (MPF) vai investigar possíveis impactos das obras da Linha 2 do metrô de Belo Horizonte sobre uma comunidade tradicional de matriz africana localizada no Nova Cintra, bairro da região Oeste da capital.

A investigação, formalizada com a conversão de um procedimento preparatório em inquérito civil, foi assinada no dia 16 deste mês pelo procurador da República Edmundo Antonio Dias Netto Junior.

A apuração teve início após o MPF receber uma manifestação relatando que o Terreiro de Candomblé Kwe’règbètan Sogbo Hùnzògan seria atingido pelas intervenções relacionadas ao metrô sem que tivesse sido assegurado à comunidade o direito de consulta prévia, livre e informada previsto na Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) — mecanismo que garante às comunidades tradicionais o direito de serem consultadas sobre projetos que possam afetá-las diretamente.

Um laudo técnico produzido por superintendências vinculadas ao Ministério da Igualdade Racial reforçou a preocupação ao apontar impacto direto das obras da Linha 2 sobre o espaço utilizado pela comunidade, incluindo a perda de um local considerado sagrado.

As obras da Linha 2 são do projeto de expansão do sistema metroviário da capital mineira, destinado a ligar a região do Barreiro — uma das mais populosas da cidade — à atual rede de metrô.

Negociações

O expediente de abertura do inquérito registra que teriam ocorrido tratativas entre representantes da concessionária Metrô BH S.A. e integrantes da comunidade para discutir possíveis formas de compensação pelos impactos das obras.

Entre as alternativas apresentadas estaria a construção de uma praça que faria referência às tradições da comunidade. No entanto, segundo relato encaminhado ao MPF, a proposta não teria sido aceita pelos representantes do terreiro, que defendem a doação do imóvel para a continuidade de suas atividades religiosas e culturais.

O documento também registra reivindicações apresentadas pelo grupo religioso, entre elas a construção de um memorial dedicado a Ogum e de um galpão que funcionaria como centro cultural, sob gestão da Associação Beneficente Centro Espírita Ogum Yara, com a oferta de atividades e serviços gratuitos à comunidade do entorno.

Com a conversão do caso em inquérito civil, o MPF passa a acompanhar formalmente as tratativas em curso e a avaliar eventuais medidas de reparação ou compensação relacionadas às obras.

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