A proximidade política entre o prefeito de Contagem, Ricardo Faria (PSD), e a pré-candidata do PT ao Senado Federal, Marília Campos, passou a incomodar parte do PSD de Minas Gerais. O mal-estar está principalmente na ala ligada ao senador Carlos Viana, adversário da petista na disputa.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o desconforto aumentou nas últimas semanas, em razão da participação frequente de Ricardo em agendas promovidas pelo PT em Contagem.
Nessas ocasiões, o prefeito tem feito discursos que, na avaliação de integrantes do PSD, dialogam com a pré-campanha de Marília ao Senado, reforçando publicamente o alinhamento político com a ex-prefeita e ampliando o desconforto de parte da legenda.
Ricardo foi eleito vice-prefeito na chapa de Marília e assumiu o comando da Prefeitura de Contagem em 26 de março deste ano, após a petista deixar o cargo para disputar uma das vagas ao Senado nas eleições de outubro.
Interlocutores do prefeito ouvidos por O Fator afirmam que Ricardo costuma lembrar que sua filiação ao PSD, articulada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, já considerava a possibilidade de ele herdar a prefeitura durante o mandato. Na avaliação dessas fontes, isso ajuda a explicar a manutenção de seu alinhamento político com Marília.
Os mesmos interlocutores sustentam que a relação política entre Ricardo e Marília é vista com naturalidade tanto pela direção estadual quanto pela direção nacional do PSD. O argumento é de que a ascensão de Ricardo à Prefeitura decorreu justamente do projeto político construído pela ex-prefeita e que esse cenário era de conhecimento da cúpula partidária desde sua filiação.
Na semana passada, a direção nacional do PSD chegou a oferecer a Ricardo o comando do partido em Contagem, com a possibilidade de assumir a presidência municipal ou indicar um nome de sua confiança, segundo relatos obtidos pela reportagem. O prefeito, contudo, recusou a proposta.
A justificativa apresentada foi a dedicação integral à administração municipal, o que inviabilizaria o acúmulo da função partidária. Ricardo optou por não indicar um aliado para o posto por entender que o movimento poderia gerar pressão por nomeações no Executivo municipal.