Justiça autoriza retomada de comissão da CMBH que investiga Ganem, mas barra cassação por fraude ao domicílio

Vereador trocou o Podemos pelo MDB e avalia disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG)
lucas ganem
Vereador foi o primeiro a enfrentar abertura de processo de cassação na atual legislatura. Foto: Tatiana Francisca/CMBH

A Justiça autorizou, nesta terça-feira (28), a retomada dos trabalhos da comissão processante instaurada pela Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) para analisar o caso do vereador Lucas Ganem (MDB), indicado pela Polícia Federal (PF) por fraude ao domicílio eleitoral. Apesar do aval à continuidade das atividades do colegiado, a decisão diz que o Legislativo Municipal não tem atribuição legal para decidir sobre eventual cassação do parlamentar pela alegação de fraude*. Essa decisão, segundo o despacho, cabe exclusivamente à Justiça Eleitoral.

A sentença é do juiz Danilo Couto Lobato Bicalho, da 3ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública Municipal de Belo Horizonte. Segundo o magistrado, a comissão tem de ter atuação limitada à fiscalização dos atos de Ganem e de seus assessores após a posse, em 1º de janeiro de 2025.

As reuniões da Comissão Processante foram interrompidas em 30 de janeiro deste ano, quando o mesmo juiz determinou a paralisação do processo de cassação de Ganem na Câmara.

Apesar da vedação a respeito da cassação quanto ao domicílio eleitoral, o parlamentar pode perder o mandato por outras infrações que, porventura, sejam apontadas pela comissão.

Sem clima

Nos bastidores da CMBH, a avaliação de vereadores ouvidos sob reservas pela reportagem é de que, nestes termos, e tendo em vista a proximidade das eleições de 2026, não há clima para retomar os trabalhos do comitê.

Também nesta terça, o Ministério Público Eleitoral denunciou Ganem por falsidade ideológica eleitoral.

A peça, assinada pelo promotor eleitoral Leonardo Barbabella, foi apresentada à 39ª Zona Eleitoral de Belo Horizonte a partir da investigação da PF, concluída em fevereiro.

Este texto dizia, originalmente, que Lucas Ganem teve o processo legislativo de cassação barrado. O conteúdo foi posteriormente alterado para explicar que a vedação se refere exclusivamente à acusação de fraude ao domicílio eleitoral.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

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