Mineiro abre empresa na Inglaterra, some e é notificado pelo STF sob acusação de envolvimento no 8/1

Empresário de Sete Lagoas, Carlos Daniel Carneiro de Araújo ‘se encontra em local incerto’, segundo despacho do STF
Alexandre de Moraes de toga e gravata azul
O processo está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, que intimou os denunciados por edital por meio de petição. Foto: Gustavo Moreno/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) notificou via edital o empresário mineiro Carlos Daniel Carneiro de Araújo, acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de envolvimento nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Segundo despacho do ministro Alexandre de Moraes, assinado na sexta-feira (24), o homem “se encontra em local incerto e não sabido”, após oficial de justiça não encontrá-lo em Sete Lagoas, na Região Central do estado.

“Conforme consta nos autos, Carlos Daniel Carneiro de Araújo teve participação protagonista na organização de viagens com manifestantes do interior de Minas Gerais para Brasília no segundo semestre de 2022″, destaca Moraes, citando um relatório da Polícia Federal (PF), no despacho.

Apuração feita por O Fator mostra que Carlos Daniel abriu uma empresa no Reino Unido em agosto de 2023, meses após os ataques na Praça dos Três Poderes. A Dandrop Limited foi dissolvida em janeiro do ano passado, um ano e meio depois de sua abertura, e prestava serviços de “venda a varejo por meio de empresas de venda por catálogo ou pela internet”.

A empresa — sediada em Colchester, cidade a cerca de duas horas de carro de Londres — só tinha Carlos Daniel Carneiro de Araújo como sócio. Além do nome, o registro mostra que o responsável pela pessoa jurídica, hoje fechada, tem a mesma idade e nacionalidade do empresário mineiro denunciado pelo MPF. Em Sete Lagoas, ele era dono de uma franquia da escola de idiomas Kingdom.

Um vídeo obtido pelo Jornal O Tempo, em janeiro de 2023, mostra Carlos Daniel Carneiro de Araújo em Brasília, no dia em que ocorreram os ataques. “O pessoal aqui hoje não está para brincadeira. Vamos invadir. Eu sei que tem a força nacional aí, tem militar para tudo quanto é lado, mas a galera aqui não está de brincadeira. Aguarde e verás”, afirma o empresário na gravação.

Outro denunciado sumido

A petição assinada por Alexandre de Moraes também cita o empresário Ubirajara Alencar da Cruz, outro de Sete Lagoas. Denunciado no mesmo processo de Carlos Daniel Carneiro de Araújo, Ubirajara também foi notificado por edital após não ser encontrado pelo oficial de justiça.

O despacho de Ubirajara aconteceu nove dias antes do relacionado a Carlos Daniel, portanto, em 15 de abril deste ano. O relatório da PF usado pelo Ministério Público Federal também o aponta como “protagonista na organização de viagens com manifestantes do interior de Minas Gerais para Brasília no segundo semestre de 2022”.

Dono da Chart Sistemas, empresa especializada em tecnologia da informação em Sete Lagoas, Ubirajara chegou a receber um “diploma de honra ao mérito” da Câmara local em 2022.

O projeto, assinado pela então vereadora Marli Aparecida Barbosa, a Marli de Luquinha (PP), reconheceu o que a parlamentar chamou de “esforços” do empresário para manter o comércio aberto durante a pandemia.

“Durante a pandemia de Covid-19, não mediu esforços na luta pelo comércio local, atuando ativamente para garantir emprego e renda aos cidadãos que dependem desse ramo para garantir seu sustento”, lê-se na proposta. O texto passou com unanimidade em plenário.

As acusações

O MPF acusa Carlos Daniel e Ubirajara de diferentes crimes no processo em questão. O primeiro responde por associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de estado, dano qualificado, no âmbito do Código Penal; e destruição, inutilização ou deterioração de patrimônio cultural, segundo a Lei 9.605/1998. Já Ubirajara responde por associação criminosa e incitação ao crime, dois delitos do Código Penal.

O prazo para manifestação dos dois é de 15 dias corridas, segundo Moraes. Portanto, o de Ubirajara vai até esta quinta-feira (30/4), enquanto Carlos Daniel tem até 9 de maio para se apresentar.

Pela dificuldade de notificação, os dois acusados ainda não listam advogados de defesa no processo.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

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