Pré-candidato do PSD à Presidência da República, o ex-governador goiano Ronaldo Caiado aposta em prefeitos do interior mineiro para driblar obstáculos impostos pelo apoio do correligionário e chefe do Executivo mineiro, Mateus Simões, a Romeu Zema (Novo) na disputa nacional.
Nas últimas semanas, Caiado esteve em cidades mineiras por duas ocasiões. O Fator apurou que ele deve, inclusive, intensificar o número de agendas no interior do estado.
Segundo interlocutores do PSD em Brasília ouvidos por O Fator, conversas entre Caiado e o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, consolidaram a avaliação de que o partido precisará apostar na força municipal para impulsionar o projeto presidencial em estados como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
Os casos da Bahia e do Rio de Janeiro se assemelham ao de Minas. Liderado pelo senador Otto Alencar, o PSD baiano acertou apoio à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que dará palanque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Já o pré-candidato do pessedista ao Palácio das Laranjeiras é Eduardo Paes, também aliado de Lula.
Busca por popularidade
A última passagem de Caiado por Minas aconteceu no sábado (8), em São Sebastião do Paraíso (Sul). Ele esteve ao lado do presidente estadual do PSD, Cássio Soares, do senador Carlos Viana e do prefeito Marcelo Morais.
Apesar de a nova passagem pelo estado ter sido apresentada oficialmente como uma agenda ligada à segurança pública, especialmente nas áreas rurais, dirigentes da legenda avaliam que o objetivo central foi ampliar a popularidade do pré-candidato e dar tração ao período pré-eleitoral.
O PSD se tornou o partido com o maior número de prefeituras em Minas Gerais. Dos 853 municípios mineiros, 141 são comandados por filiados à agremiação.
Oficialmente, apesar do acordo que garantiu a Simões a liberdade para apoiar Zema, o PSD mineiro tenta se equilibrar entre Caiado e o pré-candidato do Novo. Em abril, Cássio Soares disse a O Fator que os dois projetos “não são conflitantes”.
“Mais cedo ou mais tarde, ele (Caiado), Zema e Flávio (Bolsonaro, do PL) estarão juntos em um palanque — seja no primeiro ou no segundo turno. Não é uma candidatura conflitante com os projetos de Zema e de Flávio. Não há desconforto algum em receber o Caiado e apresentá-lo”, analisou.
