Conselho de Ética Pública do governo de MG abre processo contra presidente da Funed

Cabe ao Conset ‘zelar pela ética e transparência no Executivo estadual, além de orientar, analisar denúncias e consultas’
Felipe Attiê assumiu o comando da Funed em 2023. Foto: ALMG

O Conselho de Ética Pública (Conset) do governo de Minas instaurou, no último sábado (17), um processo para investigar possível irregularidade cometida pelo presidente da Fundação Ezequiel Dias (Funed), o ex-deputado Felipe Attiê.

Pelo que O Fator apurou, a denúncia que originou a abertura do processo contra Attiê não envolve suspeitas sob contratos ou despesas da Funed, mas sim por problemas em relações pessoais na fundação.

O processo ainda é inicial e corre em sigilo. As investigações internas começam a partir de agora.

Felipe Attiê assumiu o comando da Funed no início de 2023. Ele foi deputado estadual entre 2015 e 2019 pelo PTB. Depois, se aproximou do Novo e do governo Romeu Zema.

O Conselho de Ética Pública é, na teoria, um colegiado autônomo, de natureza consultiva, propositiva e deliberativa. Cabe ao Conset “zelar pela ética e transparência no Executivo estadual, além de orientar, analisar denúncias e responder consultas relacionadas à alta administração e atuar na prevenção de conflitos de interesse”.

No ano passado, o colegiado aplicou uma advertência ao secretário de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco, por ter aceitado, de forma gratuita, a realização de um curso para policiais penais por parte do especialista Luiz Charneski. Cerca de 200 policiais penais e servidores do sistema socioeducativo participaram da atividade.

Para o Conset, a oferta configurou uma doação de alto valor, que deveria ter passado por chamamento público.

Em nota, Felipe Attiê informou que o caso analisado diz respeito a um incidente ocorrido em 2021, durante o período dele como subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do governo mineiro.

“Na ocasião, o sistema utilizado para a realização on-line das avaliações apresentou falhas no envio dos dados, exigindo que a avaliação fosse transcrita manualmente do computador, com a presença de testemunhas, e assinada por Attiê. Posteriormente, após o restabelecimento do sistema, cerca de meses depois, surgiu uma nova avaliação digital com conteúdo não positivo que não correspondia ao desempenho apresentado pela servidora. No entanto, tal avaliação não foi realizada por Felipe Attiê e, sim, talvez, por algum desafeto da servidora. Entretanto, não é possível saber com certeza o responsável, pois já se passaram alguns anos”, pontuou.

Attiê ainda informou ter prestado esclarecimentos a órgãos como a Ouvidoria-Geral do Estado, o Ministério Público e a Controladoria-Geral. Segundo ele, o caso acabou arquivado nessas instâncias.

“Entretanto, a mesma denúncia, originalmente apresentada em 2022, voltou a tramitar no Conselho de Ética Pública (Conset) do Estado de Minas Gerais, sendo que Felipe Attiê foi convocado a falar no conselho pela primeira vez em dezembro de 2025. Na ocasião, tomou conhecimento pela primeira vez do que se tratava. Agora, novamente, foi surpreendido, pois sequer havia sido notificado da decisão do referido conselho de abrir um processo de apuração, conforme decisão do dia 17 de maio de 2026. Felipe Attiê informa que irá aguardar a notificação para proceder com sua defesa, com a consciência tranquila, já que não há nada de errado de sua parte. Por fim, Felipe Attiê reforça sua confiança na condução técnica e imparcial do processo, aguardando a devida análise dos fatos pelas autoridades competentes, depois de todos estes anos”, encerrou.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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