O presidente nacional do PT, Edinho Silva, disse, nesta terça-feira (19), que o senador Rodrigo Pacheco (PSB) “optou por não ser candidato” ao governo de Minas Gerais. A declaração foi dada ao economista Felipe Salto, durante o podcast da corretora Warren Investimentos.
Em que pese a declaração do dirigente, aliados de Pacheco ouvidos por O Fator ainda pregam cautela. O entendimento é de que é preciso esperar a conversa dele com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para cravar a questão. A expectativa é que o encontro ocorra no decorrer desta semana. Não há data definida.
Interlocutores do PT mineiro também pregam cautela e defendem a necessidade de aguardar a reunião com o presidente da República.
“Em Minas Gerais, estávamos trabalhando com a candidatura do Rodrigo Pacheco. Infelizmente, ele optou por não ser candidato. Reabrimos o diálogo em Minas Gerais. Estamos conversando com várias lideranças em Minas. Temos certeza de que vamos construir um palanque forte para o presidente (Lula) em Minas”, afirmou Edinho.
Como a reportagem mostrou na semana passada, Pacheco indicou ao presidente nacional do PT que não pretende concorrer ao Palácio Tiradentes. À ocasião, contudo, não chegou a fechar questão. O encontro com Lula deve ter a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, correligionário do ex-presidente do Congresso Nacional.
Originalmente, a conversa entre Lula, Pacheco e Alckmin aconteceria no fim de semana. No entanto, a agenda acabou adiada por causa de questões pessoais do chefe do Executivo federal.
No radar
O PSB, partido de Pacheco, começa a debater alternativas para o caso de o senador não concorrer. Na semana retrasada, o presidente estadual da sigla, Otacílio Neto, o Otacilinho, salientou que a ideia da agremiação é apresentar uma opção “viável e moderada” em um cenário sem o ex-presidente do Congresso.
Nos bastidores, são citados como opções o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes, e o ex-procurador-geral de Justiça de Minas, Jarbas Soares Júnior.
Outros integrantes do campo lulista também defendem uma aproximação a Alexandre Kalil, do PDT. A repetição da dobradinha entre o PT e o ex-prefeito de Belo Horizonte, entretanto, é vista com ceticismo por alguns petistas.
Paralelamente, há, por parte de setores da federação formada por PT, PCdoB e PV, a defesa pela intensificação dos diálogos com Gabriel Azevedo, ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) e pré-candidato do MDB.
Alcolumbre na equação
O cenário de indefinição sobre a coalizão de Lula em Minas também esbarra no presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A avaliação é de que a relação de presidente da República com Alcolumbre virou entrave nas negociações com Pacheco sobre a corrida ao Executivo mineiro.
Aliados do presidente afirmam que Alcolumbre ampliou o desgaste com o Planalto após Lula não indicar Pacheco ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo relatos, o amapaense aprofundou a crise após atuar contra o nome de Jorge Messias para a sucessão da Corte.
Lula também teria passado a demonstrar receio sobre o comprometimento político de Pacheco com um eventual projeto governista em Minas, diante da proximidade do parlamentar com Alcolumbre.
Outro ponto de irritação envolve articulações do presidente do Senado em favor de Pacheco para uma eventual vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), em uma cadeira que poderia ser aberta com a saída antecipada do ministro Bruno Dantas.