Pacheco sinaliza ao PT que não será candidato, mas terá nova conversa com Lula

Senador mineiro se reuniu com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, na noite desta terça-feira (12) e fez a sinalização
Pacheco era tratado por Lula como principal opção para a disputa no estado. Foto: Divulgação/Senado

O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) praticamente selou que não será candidato ao governo de Minas Gerais nas eleições deste ano. Em reunião na noite de terça-feira (12) com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o parlamentar mineiro sinalizou que pretende deixar a vida pública e tem, como plano principal, retomar o foco na advocacia privada.

Apesar disso, Pacheco terá mais uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos próximos dias. Aliados próximos acreditam, no entanto, que a decisão do senador já está tomada e dificilmente será contornada pelos petistas.

Pelo que O Fator apurou, Pacheco também admitiu a possibilidade de assumir uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), caso seja indicado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A movimentação ocorreria diante de uma saída antecipada do ministro Bruno Dantas, que pode acontecer nas próximas semanas. Alcolumbre articula a indicação do senador para a vaga.

A informação da posição de Pacheco a Edinho foi publicada inicialmente pelo jornalista Valdo Cruz, da TV Globo, e confirmada por O Fator.

A reunião consolida um movimento que já vinha sendo apontado a interlocutores do circulo mais próximo do senador. Nos últimos meses, Pacheco relatou falta de disposição para entrar na disputa em Minas, apesar de ter sido apontado como competitivo em pesquisas de intenção de voto. A avaliação interna considerava limitações na formação de alianças partidárias e na estrutura de campanha, além da perda do PSD para o grupo do governador Mateus Simões.

Até abril, havia expectativa de que Pacheco conseguiria se filiar a um partido que o entregasse maior estrutura para uma campanha, como o União Brasil, federado com o PP. Apesar de articulações pesadas em Brasília, a construção não aconteceu, e o senador acabou migrando para o PSB, que já havia garantido espaço para Pacheco desde o ano passado.

A saída de Pacheco do PSD foi um marco nas conversas para uma candidatura: o partido, em Minas Gerais, é presidido pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, mas acabou filiando o que seria o principal adversário do senador nas urnas, Mateus Simões. A omissão de Lula na situação já havia acendido um alerta em aliados do senador.

Pacheco era tratado por Lula como principal opção para a disputa no estado. As conversas vinham sendo conduzidas diretamente entre os dois desde o ano passado, sem mediação de lideranças locais.

Com a sinalização de recuo, o PT passa, agora, a acelerar a discussão de alternativas para o estado, que concentra o segundo maior colégio eleitoral do país. A legenda trabalha com alguns cenários. Um deles é o lançamento de candidatura própria, com foco na mobilização da campanha presidencial e na eleição de deputados federais.

Outra frente considera o apoio a nomes do PSB, como o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares ou o empresário Josué Gomes. Há ainda a possibilidade de composição com o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), hipótese que enfrenta resistência interna em razão de divergências registradas na eleição de 2022.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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