Comissão da Câmara de BH que analisa cassação de Ganem é prorrogada

Vereador admitiu em audiência do comitê que se mudou para a capital mineira apenas após conquistar vaga no Legislativo municipal
Além do relator Edmar Branco (PCdoB), colegiado é composto pelo presidente Bruno Miranda (PDT) e por Helton Júnior (PSD). Foto: CMBH

A comissão processante da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) que pode opinar pela cassação do vereador Lucas Ganem (MDB) ganhou mais três semanas de prazo. Os trabalhos, originalmente programados para terminar na sexta-feira (5), poderão seguir até o dia 29 deste mês. A extensão foi anunciada na sexta-feira (29) pela Procuradoria da CMBH, na esteira da decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que autorizou a Casa a analisar punição a Ganem por suposta fraude ao domicílio eleitoral em 2024.

A sentença fez com que vereadores favoráveis à cassação do emedebista voltassem a contar votos favoráveis à sanção.

Nos bastidores do Legislativo municipal, a avaliação é de que, com o apoio dos vereadores ligados à Família Aro, grupo político liderado pelo ex-secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro (PP), há cerca de 20 parlamentares favoráveis à cassação de Ganem. Para que um vereador perca o mandato, são necessários 28 votos.

O primeiro suplente de Ganem, eleito pelo Podemos, é o ex-vereador Rubem Rodrigues de Oliveira Júnior, o Rubão, aliado de Aro.

No final de abril, Ganem conseguiu na Justiça uma liminar que, embora autorizasse o retorno dos trabalhos da comissão processante, limitava o colegiado a julgar apenas atos do vereador a partir da posse, em 1º de janeiro de 2025.

Polarização

Interlocutores da CMBH ouvidos pela reportagem afirmaram que o futuro de Ganem será decidido pelas duas bancadas ideológicas da Câmara Municipal.

Tanto os vereadores mais próximos ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quanto os parlamentares mais alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), têm se mantido politicamente distantes do debate sobre a cassação de Ganem.

Juntos, PT e Psol ocupam seis cadeiras na Câmara. Já o PL conta com sete representantes.  

Mais preocupados com a sucessão presidencial e com as eleições para o Congresso Nacional e para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), lulistas e bolsonaristas serão decisivos na apreciação do parecer, que será apresentado por Edmar Branco (PCdoB), relator da comissão.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

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