Um grupo de vereadores favoráveis à cassação de Lucas Ganem (MDB) tem se articulado para convencer o presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), Juliano Lopes (Podemos), a convocar uma sessão extraordinária na última semana de junho para apreciar o relatório da comissão processante que analisa o caso.
Regimentalmente, o colegiado tem até 29 de junho para concluir seus trabalhos. A movimentação, no entanto, é para que Edmar Branco (PCdoB) finalize o relatório do comitê já na semana que vem. Nesse cenário, haveria tempo para o parecer ser levado ao plenário ainda neste mês.
O Fator apurou que Lopes ainda não sinalizou aos pares se vai atender à solicitação.
Nos corredores da Câmara, vereadores fazem contas sobre os votos a favor e contra o fim do mandato de Ganem. Listas com o posicionamento projetado dos parlamentares circulam entre servidores da Casa Legislativa. A avaliação de vereadores favoráveis à cassação é de que resta convencer poucos indecisos para chegar aos 28 votos necessários.
Caso o parlamentar seja cassado por haver fraudado o domicílio eleitoral no pleito de 2024, quem assumirá a cadeira é o ex-vereador Rubem de Oliveira Rodrigues, o Rubão (Podemos). Rubão é membro da Família Aro, grupo político liderado pelo ex-secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro (PP).
Em audiência da comissão processante em maio, Ganem assumiu que mudou-se para Belo Horizonte em meados de novembro de 2024, um mês após vencer as eleições.
Assessores ‘paulistas’
Durante os trabalhos da comissão processante, os integrantes do colegiado solicitaram que a Câmara Municipal fornecesse os dados com as localidades em que os assessores de Ganem gastaram os valores creditados mensalmente no vale-alimentação garantido aos servidores da Casa.
Ficou demonstrado que, ao longo de 2025, ao menos cinco auxiliares de Ganem gastaram expressiva parcela desses recursos em cidades paulistas como, além da capital São Paulo, Campinas, Indaiatuba, Guarulhos e Salto.