A mineração ilegal na Serra do Curral pela Empabra chegou a secar um córrego que passa dentro do Minas Tênis Country Clube, de acordo com o depoimento de um geólogo da Prefeitura de Belo Horizonte à Polícia Federal. A informação consta no relatório da PF que indiciou 17 pessoas na Operação Parcours.
Segundo o geólogo, ouvido pelos investigadores em maio de 2024, a cava da mina da Empabra corresponde à cabeceira do Córrego Taquaril, cuja jusante alcança o Minas Country Clube.
Aos policiais, ele informou que o clube mineiro vinha reclamando, desde 2023, que a água do córrego havia secado e que materiais da mineração teriam sido carregados para dentro do clube. As queixas motivaram fiscalizações nas operações da Empabra por parte de fiscais da Prefeitura.
Mudança na paisagem
No depoimento, o geólogo disse que participava de fiscalizações na Empabra desde a primeira década de 2000. Segundo ele, a área hoje se assemelha, de fato, a uma mina, diferentemente do que se via no passado.
Segundo a investigação, a Empabra, sob o controle dos empresários Lucas Kallas, Luis Fernando Franceschini e Bruno Luciano, criou em 2014 um esquema de mineração ilegal na Serra do Curral que perdurou ao menos até o ano passado.
No indiciamento, a PF aponta que a extração ilegal de minério de ferro de alto teor começou a partir do desvirtuamento de um acordo feio com a PBH em 2008 para a comercialização de minério existente em rejeitos e pilhas.
O que diz o MTC
Em nota, o Minas Tênis Clube afirmou que não irá se pronunciar sobre o tema. A mesma nota, no entanto, diz que a preservação ambiental é um dos princípios que norteiam a atuação do Clube.
“Nesse contexto, [o MTC] destaca que a área da Unidade Country abriga uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), evidenciando seu compromisso permanente com a conservação ambiental”, afirma.