A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig), empresa controlada pela Companhia Energética (Cemig), pretende fechar até o final de junho um contrato de R$ 1 bilhão para comprar biometano, como é chamado o combustível semelhante ao gás natural, mas com menor pegada de carbono.
A estatal mineira recebeu, no início do mês, 27 propostas de 11 empresas interessadas na contratação. A concorrência foi feita por meio de chamada pública.
O Fator apurou que entre as participantes estão a britânica BP e a japonesa Mitsui. Também fazem parte da lista as brasileiras Solví, Bioo, Regera, Gás Verde e Logás. Essa última foi comprada pela J&F, dos irmãos Batista, em março deste ano.
Agora, a Gasmig está em fase de negociações com a empresa que ofereceu a melhor proposta e pretende fechar os últimos ajustes nas próximas semanas.
A demanda
A vencedora vai precisar fornecer à Gasmig até 250 mil metros cúbicos de biometano por dia, durante 10 anos.
O fornecimento precisará ser feito, preferencialmente, na região do Triângulo Mineiro, que concentra grande produção agropecuária, cujos resíduos podem servir de insumo para a produção de biometano. A área também busca se consolidar como um polo de produção de fertilizantes nitrogenados, o que depende da distribuição de gás natural (ou biometano).
O edital da consulta pública também autoriza a empresa vencedora a fornecer biometano nas redes de gasodutos da Gasmig na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e no Sul de Minas, desde que informados os custos para a distribuição por caminhões.
Exigência federal
A lei do Combustível do Futuro, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2024, definiu que produtores e importadores de gás natural precisam diminuir gradualmente as emissões de gases de efeito estufa associadas à comercialização do insumo.
Desde janeiro deste ano, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) é o responsável por definir os percentuais de redução de emissões, variando de 1% a 10%. As regras ajudam a impulsionar o mercado de biometano no país, ainda bastante dependente da importação de gás natural.
As distribuidoras de gás natural, como a Gasmig, não estão sujeitas a essas obrigações, mas enxergam no mercado de biometano uma forma de aumentar suas receitas. A injeção do biocombustível em seus gasodutos, por exemplo, pode ajudar empresas consumidoras a cumprirem suas metas de descarbonização.