Nos quadros do PT desde março deste ano, Sandra Goulart Almeida, ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), disse ter comunicado a lideranças do partido a disposição de concorrer ao governo do estado.
Em entrevista a O Fator nesta quarta-feira (8), a docente afirmou que a decisão está nas mãos da sigla e contou não ter conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a questão. Ela ainda descartou concorrer a um cargo legislativo.
“Essa é uma discussão que está no âmbito do PT de Minas. Conversei com vários nomes e tenho tido diálogo com todos eles. Eles sabem da minha disposição e estão avaliando. Não sei se meu nome foi levado ao presidente Lula, mas já conversei com alguns nomes (do PT mineiro) e eles sabem que estou lá para contribuir da maneira que for necessário. Não necessariamente como candidata a governadora, mas como eles acharem que for necessário para construir esse projeto no qual acreditamos”, assegurou
A ideia de ter Sandra como candidata ao governo começou a tomar forma em maio, após o senador Rodrigo Pacheco (PSB), plano A de Lula para encabeçar o palanque mineiro, oficializar a decisão de deixar a vida pública após o fim do atual mandato. O presidente da República, então, sinalizou a correligionários a intenção de ver o PT lançando um nome próprio ao Palácio Tiradentes.
Em junho, os petistas montaram uma ofensiva para convencer Marília Campos a topar a empreitada, mas ela resistiu e reiterou que pretende concorrer ao Senado Federal. Diante do impasse, Sandra voltou a ganhar força, compondo um rol de opções que conta com nomes como o deputado federal Paulo Guedes.
Fora do Legislativo
Segundo a ex-reitora da UFMG, a decisão de não concorrer a deputada tem relação com o entendimento de que seu perfil possui mais compatibilidade com as funções inerentes ao Executivo.
“Nunca tive essa pretensão de concorrer a deputada federal. É algo que, realmente, não farei. Minha intenção, quando me filiei ao partido, foi porque vivi dois projetos de governo: um que destruiu a ciência, a educação e não teve nenhuma responsabilidade com a saúde pública; outro, que pensa um futuro que seja mais atento às demandas da população. E é esse projeto que quero”, pontuou, em menção ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A professora ainda garantiu não ter a “vaidade” de desejar incondicionalmente estar na disputa pela sucessão estadual.
“Quero algo ligado mais ao meu perfil, que é de Executivo. Posso contribuir com minha ampla experiência de gestão. Sou servidora pública há 30 anos. Estive na gestão desde o início da carreira. Posso contribuir mais nesse cenário, para pensar um projeto (para Minas), da maneira como o partido achar necessário. Não tenho vaidade nenhuma de concorrer a governadora. Posso ajudar em outras frentes. Estou à disposição”, emendou.
Problema que se arrasta
Como O Fator mostrou na semana passada, petistas cobram que o partido defina o mais breve possível o rumo a tomar em Minas. Há a percepção de que a demora na batida de martelo prejudica até mesmo a organização da etapa estadual da campanha de Lula à reeleição.
Em meio ao imbróglio, uma profusão de nomes passou a ser cogitada. Além de Marília, Sandra e Guedes, o deputado federal Patrus Ananias teve o nome lembrado. Ele, porém, garantiu não ter sido procurado pelo PT para tratar do tema.
Palavra semelhante foi dada por Daniel Sucupira, ex-prefeito de Teófilo Otoni (Vale do Mucuri) e pré-candidato a um assento na Assembleia. Na semana passada, a entrada dele na corrida ao governo foi defendida em carta enviada à cúpula do PT por Marco Antônio Castello Branco, presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico (Codemig) na administração de Fernando Pimentel.
A reportagem questionou Sandra Goulart sobre a possibilidade de apoio a um nome externo, como defende Marília Campos, que tem se aproximado de Gabriel Azevedo e de Jarbas Soares Júnior, pré-candidatos de MDB e PSB, respectivamente. A professora se amparou em uma resolução do PT defendendo candidatura própria para responder à pergunta.
“Essa é uma decisão que o partido tem de tomar, e o partido já aprovou resolução que terá candidatura própria. Há as razões para isso. Mas, é claro, a gente tem de estar sempre atento a conversar com as pessoas do campo democrático”, opinou.