Ex-reitora da UFMG diz ao PT que está disposta a concorrer ao governo e descarta candidatura a deputada

Sandra Goulart é uma das opções do partido para encabeçar palanque de Lula; ela garante não ter a ‘vaidade’ de disputar a eleição
A ex-reitora Sandra Goulart
Sandra Goulart, ex-reitora da UFMG, é uma das opções do PT para o governo. Foto: Willian Dias/ALMG

Nos quadros do PT desde março deste ano, Sandra Goulart Almeida, ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), disse ter comunicado a lideranças do partido a disposição de concorrer ao governo do estado. 

Em entrevista a O Fator nesta quarta-feira (8), a docente afirmou que a decisão está nas mãos da sigla e contou não ter conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a questão. Ela ainda descartou concorrer a um cargo legislativo.

“Essa é uma discussão que está no âmbito do PT de Minas. Conversei com vários nomes e tenho tido diálogo com todos eles. Eles sabem da minha disposição e estão avaliando. Não sei se meu nome foi levado ao presidente Lula, mas já conversei com alguns nomes (do PT mineiro) e eles sabem que estou lá para contribuir da maneira que for necessário. Não necessariamente como candidata a governadora, mas como eles acharem que for necessário para construir esse projeto no qual acreditamos”, assegurou

A ideia de ter Sandra como candidata ao governo começou a tomar forma em maio, após o senador Rodrigo Pacheco (PSB), plano A de Lula para encabeçar o palanque mineiro, oficializar a decisão de deixar a vida pública após o fim do atual mandato. O presidente da República, então, sinalizou a correligionários a intenção de ver o PT lançando um nome próprio ao Palácio Tiradentes. 

Em junho, os petistas montaram uma ofensiva para convencer Marília Campos a topar a empreitada, mas ela resistiu e reiterou que pretende concorrer ao Senado Federal. Diante do impasse, Sandra voltou a ganhar força, compondo um rol de opções que conta com nomes como o deputado federal Paulo Guedes.

Fora do Legislativo

Segundo a ex-reitora da UFMG, a decisão de não concorrer a deputada tem relação com o entendimento de que seu perfil possui mais compatibilidade com as funções inerentes ao Executivo.

“Nunca tive essa pretensão de concorrer a deputada federal. É algo que, realmente, não farei. Minha intenção, quando me filiei ao partido, foi porque vivi dois projetos de governo: um que destruiu a ciência, a educação e não teve nenhuma responsabilidade com a saúde pública; outro, que pensa um futuro que seja mais atento às demandas da população. E é esse projeto que quero”, pontuou, em menção ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A professora ainda garantiu não ter a “vaidade” de desejar incondicionalmente estar na disputa pela sucessão estadual.

“Quero algo ligado mais ao meu perfil, que é de Executivo. Posso contribuir com minha ampla experiência de gestão. Sou servidora pública há 30 anos. Estive na gestão desde o início da carreira. Posso contribuir mais nesse cenário, para pensar um projeto (para Minas), da maneira como o partido achar necessário. Não tenho vaidade nenhuma de concorrer a governadora. Posso ajudar em outras frentes. Estou à disposição”, emendou.

Problema que se arrasta

Como O Fator mostrou na semana passada, petistas cobram que o partido defina o mais breve possível o rumo a tomar em Minas. Há a percepção de que a demora na batida de martelo prejudica até mesmo a organização da etapa estadual da campanha de Lula à reeleição.

Em meio ao imbróglio, uma profusão de nomes passou a ser cogitada. Além de Marília, Sandra e Guedes, o deputado federal Patrus Ananias teve o nome lembrado. Ele, porém, garantiu não ter sido procurado pelo PT para tratar do tema. 

Palavra semelhante foi dada por Daniel Sucupira, ex-prefeito de Teófilo Otoni (Vale do Mucuri) e pré-candidato a um assento na Assembleia. Na semana passada, a entrada dele na corrida ao governo foi defendida em carta enviada à cúpula do PT por Marco Antônio Castello Branco, presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico (Codemig) na administração de Fernando Pimentel. 

A reportagem questionou Sandra Goulart sobre a possibilidade de apoio a um nome externo, como defende Marília Campos, que tem se aproximado de Gabriel Azevedo e de Jarbas Soares Júnior, pré-candidatos de MDB e PSB, respectivamente. A professora se amparou em uma resolução do PT defendendo candidatura própria para responder à pergunta.

“Essa é uma decisão que o partido tem de tomar, e o partido já aprovou resolução que terá candidatura própria. Há as razões para isso. Mas, é claro, a gente tem de estar sempre atento a conversar com as pessoas do campo democrático”, opinou.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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