A resistência de Marília Campos em abrir mão da pré-candidatura ao Senado Federal para disputar o governo de Minas Gerais já faz o PT mapear alternativas para liderar o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O Fator apurou que, diante do impasse em torno da ex-prefeita de Contagem, o nome do deputado federal Paulo Guedes passou a ser mencionado. A hipótese de tê-lo como postulante ao Executivo foi aventada nesta quinta-feira (2), durante reunião do grupo instalado pelo partido para debater as estratégias eleitorais. Segundo soube a reportagem, a sugestão foi levada por Romênio Pereira, um dos representantes mineiros no diretório nacional do PT.
Apesar da citação a Guedes, não houve avanços concretos no debate quanto a uma eventual candidatura dele. O que está mais solidificado, segundo fontes ouvidas pela reportagem, é a avaliação de que Marília não vai mesmo topar entrar na corrida ao Palácio Tiradentes.
A análise vai ao encontro do que O Fator mostrou na semana passada, quando noticiou que Marília confidenciou a interlocutores que preferiria não pleitear nenhum cargo a ter de concorrer a governadora. A ideia de encaixar a ex-prefeita na disputa pelo Executivo chegou a animar petistas na semana passada, quando Lula solicitou a correligionários que buscassem convencê-la a topar a proposta. A estratégia, contudo, não surtiu efeito.
Nos bastidores do PT, outro nome mencionado como possibilidade para encabeçar a chapa é o de Daniel Sucupira, ex-prefeito de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri. A opção consta em carta enviada à direção do partido por Marco Antônio Castello Branco, presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico (Codemig) na administração de Fernando Pimentel.
Sucupira, entretanto, diz não ter recebido convite formal do PT para concorrer ao comando do estado. Seu plano é buscar uma vaga na Assembleia Legislativa (ALMG).
Castello Branco, por sua vez, afirma ter levado a ideia de lançar o ex-prefeito de Teófilo Otoni à cúpula petista por entender que uma candidatura própria da sigla é “importante para Minas Gerais e para o próprio partido”.
“Na minha opinião, uma candidatura própria precisa valorizar a militância da base, que fez carreira disputando eleição e tem o que mostrar do ponto de vista ideológico e administrativo. Daniel Sucupira é, na minha opinião, um excelente candidato e pode ser uma grande surpresa pelos motivos que expressei no documento”, prega.
Deputado se prontifica a concorrer
Embora já tenha oficializado a pré-candidatura à reeleição, Paulo Guedes não descarta compor o palanque majoritário de Lula em Minas. Ele afirma ser “um soldado do partido”
“Tenho minha reeleição encaminhada, mas se o presidente Lula me fizer este chamado, meu nome está à disposição”, garante.
Guedes lançou a pré-candidatura legislativa no sábado (27), na cidade norte-mineira de Montes Claros. Ele aproveitou o evento para elogiar publicamente Jarbas Soares Júnior, ex-procurador-geral de Justiça de Minas e pré-candidato do PSB ao governo.
Segundo ele, se o PT decidir apoiar um nome externo, defenderá a formação de uma aliança com Jarbas.
Contra o tempo
Em meio à indefinição, integrantes do PT pontuam que os rumos da legenda precisam ser definidos brevemente. Uma demora excessiva, avaliam, pode prejudicar na condução da campanha de Lula no estado.
A janela destinada às convenções partidárias, que começa em 20 de julho, termina em 5 de agosto.
Sem um nome de consenso para liderar uma candidatura própria, correntes petistas vêm recebendo solicitações de apoio também do MDB. O pré-candidato da sigla é Gabriel Azevedo, ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH).