PDT de Kalil decide que alianças nos estados devem priorizar apoio a Lula

Resolução consta em ata da convenção nacional da sigla; direção estadual diz que acordo com o PT não afeta planos locais
Alexandre Kalil em primeiro plano; ao fundo, Geraldo Alckmin
Em 2022, Kalil concorreu ao governo com o apoio de Lula e Alckmin; agora, quer disputar sem palanque nacional. Foto: Divulgação

A direção nacional do PDT, partido de Alexandre Kalil, decidiu que as alianças estaduais devem priorizar a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na qual a sigla já embarcou. A resolução é oficial e consta na ata da convenção da legenda, ocorrida na segunda-feira (20). 

Apesar do texto, a cúpula pedetista em Minas Gerais garante que a pré-candidatura de Kalil ao governo segue de pé e não terá vinculação com o palanque local de Lula.

“Foi aprovada delegação de poderes a Executiva Nacional para tratar das alianças estaduais, que devem priorizar apoio à candidatura de Luís Inácio Lula da Silva (sic), podendo para tal, praticar todos os atos necessários para o cumprimento das deliberações estabelecidas nesta convenção partidária”, lê-se em trecho da ata, acessada por O Fator por meio do sistema da Justiça Eleitoral.

À reportagem, o presidente estadual do partido, o deputado federal Mário Heringer, disse que a ideia de Kalil de disputar a eleição sem dar sustentação a nenhum postulante à Presidência da República está pacificada junto à direção nacional do PDT.

“Sabemos que Kalil fez uma opção por não ter palanque nacional, porque faz uma disputa para ser governador de Minas. Divisão de palanque, neste momento, para a gente, tira o foco dessa campanha específica e direciona-o para uma campanha presidencial. Nosso objetivo, por Minas Gerais, é fazer o governo do estado. O partido sabe disso”, assegurou.

Na avaliação de Heringer, o fato de a resolução colocar no condicional, por meio da palavra “podendo”, a hipótese de realizar os “atos necessários” que garantam o cumprimento da prioridade a Lula, confere segurança à estratégia do PDT mineiro.

“Vamos nos comportar sob a orientação do partido e fazer a campanha do Kalil independentemente do palanque com Lula”, pontuou.

Cobrança por reciprocidade

O PT já definiu o deputado federal Patrus Ananias como representante na corrida ao Palácio Tiradentes. O parlamentar, que por força da federação liderada pelos petistas já terá a participação de PV e PCdoB em sua coalizão, tenta atrair para o grupo outras agremiações da centro-esquerda e da esquerda, como PSB, Psol e Rede Sustentabilidade.

]Como O Fator já mostrou em outras ocasiões, dirigentes do PT chegaram a defender que o PDT promovesse, em Minas Gerais, um gesto de retribuição à decisão dos correligionários de Lula de retirar a pré-candidatura de Edegar Pretto ao governo do Rio Grande do Sul em prol do endosso à trabalhista Juliana Brizola.

Busca por apoios

Enquanto dialogam com o partido de Patrus, Psol e Rede, unidos em uma federação, também planejam retomar as conversas com Kalil. As tratativas começaram em abril, mas acabaram estagnadas. Agora, há a expectativa por uma nova reunião ainda nesta semana. 

A prioridade dos pessolistas é conseguir espaço para a pré-candidatura da ex-deputada federal Áurea Carolina ao Senado Federal. Nessa terça-feira (21), o bloco levou a questão para uma reunião com representantes do PT, mas o encontro terminou sem a garantia de que a ex-parlamentar será acomodada na chapa.

O PDT também mantém interface com o PSDB. Segundo tucanos, as conversas com Kalil são, neste momento, as mais adiantadas.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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