Dirigentes do Psol vão se reunir nesta semana com Alexandre Kalil, pré-candidato do PDT ao governo de Minas Gerais, para tentar retomar as conversas por uma aliança.
A reaproximação ocorre após lideranças da legenda passarem a avaliar que a ideia de emplacar a ex-deputada federal Áurea Carolina como candidata ao Senado Federal na chapa encabeçada por Patrus Ananias (PT) pode não sair do papel.
Como O Fator mostrou na semana passada, o Psol sinalizou apoio ao deputado federal, mas condicionou uma união à formação de uma dobradinha entre Áurea e a petista Marília Campos para a Casa Alta do Congresso Nacional. Nos últimos dias, contudo, dirigentes do partido passaram a considerar que o PT dificilmente reservará ao Psol a segunda vaga.
Segundo interlocutores ouvidos pela reportagem, Áurea compõe o grupo do Psol que deseja se reunir com Kalil. Ainda de acordo com essas fontes, inicialmente a ex-deputada demonstrava interesse em construir uma aliança com Marília Campos, entretanto, diante do distanciamento político da ex-prefeita de Contagem, reconsiderou um apoio ao ex-prefeito de Belo Horizonte
Pé no freio
Em abril, a federação formada por Psol e Rede Sustentabilidade abriu tratativas com Kalil, mas os pessolistas se distanciaram da mesa de negociações por entenderem que o ex-prefeito de Belo Horizonte estava tomando posições consideradas mais à direita.
Agora, o desejo do partido de conversar novamente com ele antes de definir se apoia PT ou PDT, se refletiu em uma decisão tomada nos bastidores no fim de semana passado.
Um manifesto intitulado “Uma chance única para Minas Gerais: manifesto em defesa da chapa Patrus, Áurea e Marília” estava pronto para ser divulgado nesse domingo (19), mas teve a publicação adiada. O texto, que recebeu adesões de quadros do PT e do Psol, bem como de movimentos sociais, circulou em grupos de WhatsApp petistas para a coleta de assinaturas.
O material só não foi tornado público porque seus articuladores entenderam que tornar reiterar a defesa por uma união ao PT justamente no momento em que o Psol retomava as conversas com Kalil poderia reduzir a margem de negociação da legenda com o PDT.
“Minas Gerais nunca elegeu um senador de esquerda desde a redemocratização. Também porque a esquerda, nas disputas majoritárias, quase sempre cedeu a segunda vaga ao centro ou à direita em nome de uma aliança que nunca valeu o que custou. Neste ano, é a primeira vez que temos condições reais de ocupar as duas cadeiras com candidatas genuinamente progressistas”, dizia um dos trechos da carta.
Rede é simpática a Kalil
Seja qual for a decisão, Rede e Psol terão de seguir juntos, já que o mecanismo de federação obriga as legendas a estarem nas mesmas coligações Brasil afora.
Como O Fator mostrou na semana passada, a Rede vê Kalil como um nome mais competitivo que Patrus. Como o nome do petista surgiu no páreo para o governo apenas na semana passada, há chances de a convenção da federação, marcada para o domingo (26), terminar sem um desfecho quanto ao apoio para o Executivo estadual.