Após ter operações embargadas, Sigma diz negociar TAC com governo de Minas

Companhia divulgou comunicado poucas horas depois de reportagem de O Fator revelar embargo a complexo minerário
Operação da Sigma
Sigma mantém operação em Minas Gerais. Foto: Divulgação

Com as operações no Vale do Jequitinhonha embargadas pela Fundação Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais (Feam), a Sigma Lithium afirmou, na tarde desta quarta-feira (22), que negocia um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o governo estadual para reaver multas e infrações recebidas. A informação consta em comunicado divulgado a investidores.

É o primeiro comunicado público da mineradora sobre o tema desde o dia 13, quando foi notificada pelas autoridades estaduais. A empresa publicou a informação horas após reportagem de O Fator revelar o embargo.

De acordo com a Sigma, as tratativas para a assinatura do TAC começaram nessa terça-feira (21).

A Feam suspendeu as licenças de operação das duas cavas onde a Sigma extrai lítio em Araçuaí e Itinga. Na prática, a decisão inibe toda a lavra da maior mineradora de lítio do Brasil.

No comunicado, a Sigma diz que a implementação dos ajustes propostos aos procedimentos ambientais, no âmbito do TAC, exigirá um investimento de aproximadamente US$ 1 milhão.

A mineradora ainda refuta o parecer da Feam, que constatou que a Sigma havia colocado informações falsas no processo de licenciamento de suas cavas e iniciado a extração de minério de lítio antes mesmo de obter a licença por parte do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam).

“A empresa nega veementemente qualquer irregularidade, conforme descrito nas principais alegações apresentadas pela Superintendência Regional de Meio Ambiente (Supram) Jequitinhonha em relação às operações da empresa”, diz o comunicado.

Em outro trecho, a Sigma garante que “não prestou informações inverídicas a órgãos ambientais desde 2018” e que “não realizou a venda comercial de quaisquer materiais de lítio antes de maio de 2023”, como argumenta a Feam.

A empresa também alega ser alvo de uma “campanha de notícias falsas” iniciada “antes mesmo da conclusão do TAC”.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

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