A desistência do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), anunciada nesta segunda-feira (3), levou o PL a adotar um discurso único: cautela. A legenda descarta qualquer definição imediata sobre alianças para a disputa pelo governo de Minas Gerais.
“Vamos ter calma. Nada de precipitação. Primeiro, reuniões internas”, disse a O Fator o deputado federal Zé Vitor, que preside o partido no estado.
O dirigente esteve com Cleitinho nesse domingo (2) em Divinópolis, no Centro-Oeste do estado. Ao lado do também deputado federal Domingos Sávio, candidato liberal ao Senado Federal, acertaram que o PL indicaria um dos concorrentes à Casa Alta do Congresso Nacional pela chapa encabeçada pelo Republicanos.
Também procurado por O Fator, Sávio afirmou que os liberais cumpriram o que haviam acertado com Cleitinho, mas reconheceu que a desistência abre uma nova fase.
“Neste momento, a experiência nos aconselha a estar preparados para tudo. O importante é que tanto eu quanto o PL mantivemos o compromisso com ele. Agora, com a sua desistência, poderemos buscar outras opções e manter o foco em construir uma boa aliança de centro e direita em Minas”, afirmou.
Como a reportagem já mostrou, a cúpula do Republicanos agora trabalha para reabrir tratativas com Marcelo Aro (PP). Ex-secretário das pastas de Governo e da Casa Civil, ele vinha sendo tratado como opção a Cleitinho, mas viu as articulações esfriarem a partir do final da semana passada, quando o partido passou a reconsiderar a decisão inicial de retirar a candidatura do senador.
Diante das incertezas, União e PP haviam voltado a trabalhar com a ideia de ter Aro como concorrente ao Senado Federal a fim de se prevenir caso Cleitinho fosse confirmado pelo Republicanos no páreo pelo Palácio Tiradentes.
Na semana passada, quando legendas aliadas cobravam de Cleitinho uma definição, interlocutores do PL chegaram a participar de um encontro em que Aro foi colocado como opção. Antes disso, a sigla tinha como plano B o lançamento de uma candidatura própria por meio de Vittorio Medioli, ex-prefeito de Betim, ou de Flávio Roscoe, presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).
A desistência
A decisão de Cleitinho foi sacramentada após uma reunião com o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, e o presidente estadual do partido, Euclydes Pettersen. O encontro aconteceu em Brasília (DF)
Oficialmente, o partido atribuiu a desistência ao momento de luto vivido por Cleitinho, que perdeu um irmão no mês passado. Porém, lideranças admitem que o impasse sobre a formação da chapa também pesou na decisão.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Cleitinho afirmou que não reúne condições emocionais para disputar a eleição. Marcos Pereira, por sua vez, disse que o Republicanos ofereceu todas as condições para a candidatura, mas que o senador optou por priorizar a família.