TJMG libera PPP para a construção de complexo hospitalar em BH

Obra será construída na área do antigo Hospital Galba Veloso, na Gameleira, região Oeste da capital
Projeto do complexo hospitalar na Gameleira
Governo de Minas quer complexo hospitalar na Gameleira. Foto: Divulgação

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) derrubou a liminar que havia paralisado a concessão do Complexo de Saúde Hospitalar Padre Eustáquio (HoPe), na Gameleira, em Belo Horizonte. A decisão foi tomada na noite dessa quinta-feira (6) pelo presidente da Corte, o desembargador Vicente de Oliveira Silva.

O HoPe é a aposta do Executivo para centralizar, na área do antigo Hospital Galba Veloso, atividades realizadas por diversas unidades da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). Com a decisão de Silva, o governo pode continuar os atos ligados ao contrato firmado em 12 de junho com o consórcio vencedor da licitação para a obra, formado pelas empresas Integra Brasil, Oncomed Centro de Prevenção e Tratamento de Doenças Neoplásicas e B2U Participações. O acordo também prevê a operação de parte da estrutura do novo complexo por 30 anos.

A cautelar que suspendia os atos relacionados à concretização da parceria público-privada (PPP) foi expedida em 28 de julho pelo juiz Wenderson de Souza Lima, da 2ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias de BH, no âmbito de ação do Ministério Público (MPMG).

Entenda o caso

Na petição inicial, o MPMG alegou que o estado não tem norma regulamentadora de concessões desde 2017, quando houve a revogação de uma lei de 2003 sobre PPPs.

Ao analisar a questão, o presidente do TJMG entendeu que a discussão sobre a necessidade de uma lei estadual ainda é controversa. Para ele, não há, por ora, uma ilegalidade que justifique a interrupção do projeto.

Ainda conforme o desembargador, a liminar da semana passada “interfere de maneira indevida na competência do Poder Executivo de fixar as melhores políticas públicas, notadamente diante da ausência de ilegalidade flagrante”.

A decisão cita que o governo mineiro já desembolsou cerca de R$ 18 milhões no desenvolvimento do projeto. O Palácio Tiradentes também informou que o consórcio constituiu uma empresa específica para executar o contrato e aportou mais de R$ 110 milhões.

O projeto

O HoPe englobará os atendimentos realizados nos hospitais Eduardo de Menezes, João Paulo II e Alberto Cavalcanti.

Pelo projeto, a Maternidade Odete Valadares também será transferida para o empreendimento. Há ainda a previsão de espaço para o laboratório central da Fundação Ezequiel Dias (Funed).

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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