A suspeita de lideranças do PL sobre a candidatura de Cleitinho em MG

Grupo político do partido da família Bolsonaro acredita que o senador mineiro demorou a confirmar a candidatura de propósito
O senador anunciou de vez a candidatura na última sexta. Foto: TV Integração/Reprodução

Interlocutores do PL passaram a desconfiar que o senador Cleitinho Azevedo e parte da direção do Republicanos deixaram em aberto, por semanas, a decisão sobre a disputa pelo governo do estado para levar os liberais a lançarem um candidato próprio.

Na visão dessas lideranças, o movimento permitiria a Cleitinho disputar o Palácio Tiradentes sem ter de apoiar diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida pela Presidência da República.

A avaliação é reservada e não representa uma posição formal da direção do PL. Ainda assim, integrantes da legenda afirmam que a demora do Republicanos em definir o rumo de Cleitinho praticamente inviabilizou a possibilidade de acordo entre os dois partidos em Minas.

O PL aguardou por meses uma resposta do senador. Nesse período, Cleitinho alternou falas sobre concorrer ou não ao governo. No fim de julho, o Republicanos informou que não lançaria candidato, após adiamentos de uma decisão do parlamentar.

Na semana passada, Cleitinho disse que não disputaria a eleição, citando o luto pela morte do irmão e questões de saúde na família. No dia seguinte, porém, pediu à direção do Republicanos uma nova chance para ser candidato.

Para interlocutores do PL, essas mudanças de posição impediram a formação de uma chapa entre os dois partidos. A leitura dentro da legenda é que uma aliança em Minas exigiria que Cleitinho estivesse no mesmo palanque de Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência.

Na avaliação dessas fontes, o senador buscaria evitar esse vínculo. A aproximação com a campanha presidencial do PL poderia abrir questionamentos sobre seu posicionamento e sua relação com setores da direita ligados a Bolsonaro.

Diante da falta de uma definição, o PL lançou, na quarta-feira (5), o empresário Flávio Roscoe ao governo de Minas. Roscoe é presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

Depois do lançamento do PL, a direção nacional do Republicanos decidiu apoiar a candidatura de Cleitinho. A decisão foi tomada em reunião na residência do presidente nacional da legenda, deputado federal Marcos Pereira (SP), em Vinhedo, no interior de São Paulo. O ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão foi escolhido para a vaga de vice.

O PL, no entanto, afirma que não retirará Roscoe da disputa. Flávio Bolsonaro telefonou para o empresário na sexta-feira (7) para informar que sua candidatura está mantida, mesmo com a entrada de Cleitinho na corrida.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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