Por que grupo alimentício de Contagem é contra a aquisição de dona da Yoki pela 3corações

Ao Cade, Pachá apontou receio concorrencial com mudança no controle das operações da General Mills no Brasil
Foto mostra pipoca
Pachá diz que negociação pode ampliar concentração de mercado. Foto: Pixabay

Anunciada em março, a compra das operações da General Mills no Brasil pelo grupo 3corações gerou questionamentos de concorrentes em processo analisado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Entre as empresas que se manifestaram contrariamente à negociação está a Pachá Alimentos, que fabrica seus produtos em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Em questionário enviado em junho ao órgão antitruste, a empresa diz que a compra pode gerar impactos no mercado de pipoca. Isso porque a General Mills é dona da Yoki, enquanto a 3corações é responsável pelas marcas Dona Clara e Kimimo, que também atuam nesse segmento.

Segundo a Pachá, a compra “poderá aumentar a concentração de mercado e ampliar o poder competitivo das empresas envolvidas, gerando impactos negativos para os demais participantes do setor”. A companhia também cita que a negociação causaria monopólio e consequente elevação de preços.

A Pachá ainda argumenta que seu milho de pipoca in natura (como é chamado o produto finalizado em panela pelo consumidor) é comercializado em todo país, mas que sua atuação é predominantemente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do país.

Outras manifestações

Além da Pachá, outras empresas do setor, incluindo supermercados, se manifestaram sobre a operação.

A Food Brands, dona da KiSabor, disse ter preocupações “com os possíveis efeitos sobre distribuição, negociação comercial e espaço no varejo”, mas acrescentou não acreditar que haverá danos concorrenciais relevantes. Já a Anchieta afirmou ser contrária à negociação, “pois com menos marcas ofertadas o consumidor fica com pouca opção de compra.”

Os supermercados, por sua vez, divergiram entre si. O Atacadão, do Grupo Carrefour, afirmou, por exemplo, que a operação pode resultar em ganhos logísticos e operacionais para fins de abastecimento do mercado, mas que possui potencial para aumentar os preços do produto.

Já o Supermercados BH disse não ter objeções à compra, pois não identifica efeitos negativos relevantes sobre o mercado nacional. O argumento foi semelhante ao usado pelo grupo Pão de Açúcar, hoje controlado pela família mineira Coelho Diniz.

Outro lado

Procurado, o grupo 3corações não respondeu aos questionamentos da reportagem.

No processo no Cade, no entanto, a empresa contestou os argumentos dos concorrentes disse que o mercado de pipocas in natura é amplo e capaz de diversificar preços e absorver eventuais desvios de demanda.

“Concorrentes e clientes indicaram que o preço é variável relevante de escolha, que consumidores tendem a migrar entre marcas diante de aumentos de preço e que fornecedores concorrentes teriam condições de absorver eventual desvio de demanda”, afirmou.

“Essa combinação evidencia rivalidade efetiva e disciplina competitiva suficiente para afastar a hipótese de exercício de poder de mercado”, completou.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

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