O registro de filiação do candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), ao partido Missão foi feito a partir de um dispositivo eletrônico localizado no bairro Santo André, na região Noroeste de Belo Horizonte.
A filiação do senador à nova legenda foi o que impediu Flávio Bolsonaro de fazer o registro de candidatura junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O PL informou, nesta quarta-feira (13), que protocolou um pedido de desfiliação do Missão.
Fontes ouvidas pela reportagem ressaltam que é possível alterar as configurações de IP de um servidor, o que pode fazer com que a localização associada ao acesso não corresponda necessariamente ao local físico de onde o dispositivo foi operado.
Relatório produzido pelo partido Missão aponta que o cadastro usou um endereço inexistente do senador no Rio de Janeiro (Rua “dos Bandidos”, no bairro “Miliciano”) e apresentou divergência entre o CPF informado e o número associado ao título eleitoral.
A sigla explicou que tentou excluir o registro, mas o sistema recusou a operação por erro de permissão. O partido listou ainda que foram feitas duas tentativas de pagamento de R$ 4.789,68, referentes à contribuição financeira prevista na filiação, mas ambas foram recusadas.
O Missão também disse, por meio de nota, que tentou comunicar ao gabinete de Flávio Bolsonaro desde 2 de agosto, mas sem sucesso. Nesta quinta, o senador disse que “tentaram fraudar a filiação dele” e que o “sistema” não vai conseguir pará-lo.
O TSE, por sua vez, informou que a filiação não resultou de um ataque hacker ao sistema eleitoral, mas sim do uso indevido da ferramenta por alguém que tinha credenciais do próprio partido Missão para realizar filiações.
O presidente do tribunal, ministro Nunes Marques, encaminhou o caso à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) e determinou a instauração de inquérito pela Polícia Judiciária para apurar os responsáveis e as circunstâncias da operação.