Pimentel rejeita acordo com MPMG em ação sobre suposto prejuízo de R$ 63,3 milhões na PBH

Ex-governador e ex-prefeito de BH é acusado de autorizar o reembolso de encargos bancários a fornecedores entre 2005 e 2007
A defesa do ex-governador nega as ilegalidades e diz que a legislação prevê o uso das aeronaves oficiais. Foto: Agência Brasil
Fernando Pimentel foi prefeito de BH entre 2004 e 2008, depois governador de MG entre 2015 e 2018. Foto: Agência Brasil

O ex-governador Fernando Pimentel (PT) recusou a possibilidade de fazer um acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para encerrar uma ação de improbidade administrativa. O processo aponta que, quando foi prefeito de Belo Horizonte, entre 2004 e 2008, Pimentel autorizou pagamentos a empresas fornecedoras da prefeitura que teriam causado um prejuízo de R$ 63,3 milhões aos cofres públicos.

A recusa foi registrada em audiência realizada em 6 de agosto, na 2ª Vara da Fazenda Pública Municipal de Belo Horizonte. Na ata, a Justiça registra que foi “expressamente recusada” a possibilidade de um Acordo de Não Persecução Cível (ANPC).

Além de Pimentel, são réus o ex-procurador-geral de Belo Horizonte Marco Antônio de Rezende Teixeira e o ex-secretário municipal Murilo de Campos Valadares. O MPMG pede que os três devolvam, de forma conjunta, R$ 63,3 milhões, com correção monetária e juros.

Segundo o Ministério Público, a prefeitura atrasou pagamentos que devia a empresas contratadas entre 2005 e 2007. As empresas teriam recorrido a empréstimos bancários para manter as atividades e receber os valores que estavam pendentes.

Depois, de acordo com a acusação, a prefeitura assinou termos aditivos aos contratos para reembolsar gastos dessas empresas com juros, IOF, correção e outros encargos dos empréstimos. Para o MPMG, o município assumiu despesas que não estavam previstas nos contratos originais e que não tinham autorização legal.

O MPMG afirma que a operação funcionou, na prática, como um empréstimo indireto à prefeitura: os fornecedores tomavam crédito no banco e o município reembolsava os custos financeiros. O Ministério Público sustenta que esse tipo de operação exigiria autorização da Câmara Municipal e procedimentos previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal.

Durante a audiência, duas testemunhas indicadas pelo Ministério Público foram ouvidas. A juíza Bárbara Heliodora Quaresma Bomfim Bicalho marcou a próxima audiência para 11 de novembro.

Em 2021, a Justiça negou um pedido do MPMG para bloquear bens dos réus no valor de R$ 63,3 milhões. Naquela decisão inicial, o juiz afirmou não haver prova suficiente de que os réus agiram de forma intencional nem de que a prefeitura obrigou as empresas a buscar empréstimos. O caso ainda não teve julgamento final.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Leia também:

Suspeito de ligação com o PCC pede a impugnação de Cunha e defesa diz que peça tem alertas de IA

Pimentel rejeita acordo com MPMG em ação sobre suposto prejuízo de R$ 63,3 milhões na PBH

Candidato, pai de Kaio Jorge sofre derrota na Justiça Eleitoral após ser vítima de hackers

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse