As condições de Ouro Preto para aderir ao acordo de Mariana

Cidade é uma das quatro localidades que ainda não concordaram com termos da repactuação
Vista da cidade de Ouro Preto
Ouro Preto e mais três cidades não assinaram a repactuação de Mariana. Foto: Guilherme Bergamini/ALMG

A Prefeitura de Ouro Preto, na Região Central de Minas Gerais, estabeleceu três condições para aderir ao Novo Acordo do Rio Doce, destinado a municípios afetados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. Segundo a administração ouropretana, a cidade só vai assinar a repactuação se os valores oferecidos forem ampliados e se houver aporte adicional destinado exclusivamente a cobrir custos que o município julga ter tido a partir do desastre.

As exigências de Ouro Preto foram tornadas públicas nesta quinta-feira (20), mesmo dia em que o Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) homologou a adesão de mais 19 cidades de Minas e do Espírito Santo ao Novo Acordo.

A terceira cláusula objetivada por Ouro Preto é o repasse, à prefeitura, de verbas a título de saneamento básico incluídas na primeira versão da repactuação, assinada em 2024.

“Como nada disso foi acertado entre as partes, o município de Ouro Preto sustenta sua confiança na decisão da Justiça da Inglaterra, bastante adiantada, no reconhecimento dos direitos do Município e no dever do ressarcimento por parte da BHP e também na Justiça Brasileira, no processamento da Ação Civil Pública proposta por Ouro Preto”, informou.

Nas contas da gestão de Angelo Oswaldo (PV), a cidade teve perdas de R$ 3,56 bilhões a reboque do rompimento. O valor, segundo o Executivo municipal, é decorrente da queda na arrecadação tributária e da ausência da cidade em programas de reparação. A conta engloba, ainda, as despesas surgidas por causa dos efeitos do desastre ambiental.

Segundo o município, foram gastos quase R$ 200 milhões “em razão do aumento da demanda nos serviços públicos de saúde, educação, assistência social, atendimento psicossocial e mobilidade urbana”.

Além de Ouro Preto, outras duas cidades mineiras — Governador Valadares e Resplendor — não assinaram. A capixaba Colatina também não aderiu.

O Acordo de Mariana prevê R$ 6,1 bilhões em repasses aos municípios atingidos. Já com as propostas oferecidas pela Samarco e aceita pelas 45 cidades, outros R$ 3 bilhões serão desembolsados, incluindo R$ 1,2 bilhão destinado a Mariana, que encabeça a relação de municípios que toparam as condições nesta semana.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

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