Advogado amigo de Flávio Bolsonaro aciona STF contra deputado do PT por vídeo sobre mansão de Richarlison

Willer Tomaz pede que Rogério Correia explique acusações de que ele teria se apoderado de imóvel de R$ 10 milhões de jogador
Mansão avaliada em R$ 10 milhões e situada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). O imóvel tem 11 suítes, praia privativa, cachoeira, piscina, quadra de tênis e heliponto. Foto: Reprodução
Mansão avaliada em R$ 10 milhões e situada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). O imóvel tem 11 suítes, praia privativa, cachoeira, piscina, quadra de tênis e heliponto. Foto: Reprodução

O advogado Willer Tomaz de Souza, um dos alvos da última fase da Operação Sem Desconto, acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) por uma publicação nas redes sociais, feita neste mês, com o título: “Provas: como Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz pegaram a mansão de Richarlison?”. 

O relator do caso é o ministro Luiz Fux. O advogado pede que o parlamentar explique declarações feitas nas redes sociais sobre a aquisição de uma mansão de R$ 10 milhões do jogador de futebol da seleção brasileira e do Tottenham, Richarlison, em Angra dos Reis (RJ), e questiona se o petista pretendeu acusá-lo de cometer algum crime.

Na publicação, o parlamentar afirmou que documentos obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) indicariam o uso da Superintendência do Patrimônio da União (SPU) no Rio de Janeiro para viabilizar a transferência do imóvel. Ainda segundo a interpelação, Correia também afirmou que Richarlison teria sido “roubado” e que o advogado teria se apoderado do imóvel.

Willer Tomaz de Souza é conhecido pelo trânsito no meio político de Brasília e amigo do candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Neste mês, ele foi apontado pela Polícia Federal (PF) como o “hub financeiro, patrimonial e logístico” da organização investigada na operação que investiga no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Questionamentos

O advogado apresentou 27 questionamentos. Entre eles se o deputado mineiro pretendeu atribuir a ele a prática de algum crime e, em caso positivo, qual delito. Também pergunta se a notícia-crime anunciada por Correia já foi protocolada na PF e, em caso afirmativo, contra quem e com qual capitulação jurídica.

Willer Tomaz anexou ao processo documentos que, segundo ele, comprovam que a aquisição dos direitos sobre o imóvel foi reconhecida como regular em decisões judiciais. E diz ainda que um inquérito policial sobre suposto estelionato relacionado ao negócio foi arquivado a pedido do Ministério Público, diante da ausência de indícios de ilícito.

Por fim, ele questiona se Rogério Correia pretende se retratar das declarações e se manterá as publicações nas redes sociais. A interpelação judicial apresentada ao STF tem como base o artigo 144 do Código Penal, que permite a quem se considera ofendido pedir explicações em juízo quando referências, alusões ou frases possam configurar calúnia, difamação ou injúria.

Nova acusação

Cinco dias após a primeira publicação, o deputado federal voltou a falar sobre o caso em entrevista à Revista Fórum. Segundo Willer Tomaz, a nova manifestação, publicada em 17 de agosto, repetiu as acusações e acrescentou novas imputações.

O advogado afirma que Rogério Correia passou a dizer que haveria uma “sociedade” entre ele e Flávio Bolsonaro. Na entrevista, Correia também afirmou que a retirada do antigo ocupante ocorreu “de forma violenta”.

Diante da nova manifestação, Tomaz acrescentou três questionamentos à interpelação no STF, incluindo qual seria a relação entre ele e Flávio Bolsonaro e em que provas o petista baseia a afirmação de que os dois teriam uma “sociedade”.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

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