O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), disse ter explicado ao diretor-presidente do Cruzeiro, Pedro Lourenço, o Pedrinho, que o decreto proibindo a veiculação de propagandas de casas de apostas em bens públicos como o Mineirão não tem o objetivo de interferir nas marcas expostas pelo clube em espaços como os uniformes dos atletas.
A O Fator, o chefe do Executivo estadual pontuou que contratos entre entes particulares não estão no escopo da normativa.
“O estado não pretende interferir nas contratações havidas entre CBF, Clubes e estádios. A decisão diz respeito aos contratos mantidos diretamente pela concessionária (a Minas Arena) com bets, ou por obrigações que venham a ser posteriormente constituídas após a edição do decreto, tentando contornar a vedação. Esclareci que temas como marcas em uniformes, por exemplo, jamais serão regulados pelo estado”, afirmou.
O diálogo entre Pedrinho e Simões aconteceu neste sábado (22). Mais cedo, em entrevista coletiva, o pessedista disse que haverá um período de transição até a efetivação completa do decreto. Ele garantiu que as partidas do Cruzeiro não terão de ser transferidas de local por causa do texto legal.
Na conversa com O Fator, Simões indicou que a reunião entre o governo do estado e representantes do clube para tratar do tema, prevista para a próxima semana, acontecerá já nesta segunda-feira (24). A intenção é que haja alinhamento entre as partes em termos de discurso e de ação.
“Mas mantenho minha torcida para que entidades também se sensibilizem sobre a importância do banimento da publicidade de bets”, finalizou.
Reação da CBF
A conversa entre Simões e Pedrinho aconteceu um dia depois de a CBF enviar, à Federação Mineira de Futebol (FBF) e ao Cruzeiro, ofício sinalizando a necessidade de a Raposa ter de jogar em outro campo caso o decreto fosse interpretado como uma regra aplicada também aos acordos entre o clube e a entidade.
“Os clubes participantes obrigam-se a cumprir integralmente os regulamentos, manuais e demais normas das competições, inclusive as de proteção às propriedades comerciais da CBF e de seus parceiros — obrigações que não poderão ser observadas pelo Cruzeiro caso mantenha suas partidas no Mineirão sob a vigência do decreto”, sustentou.
O que dizem Cruzeiro e Minas Arena?
Neste sábado (22), o Cruzeiro emitiu nota sobre o assunto e disse que a reunião com o Executivo estadual será conduzida pela Secretaria de Estado da Casa Civil.
“A reunião terá como objetivo aprofundar o diálogo para esclarecer os fundamentos e os impactos da medida adotada pelo governo. Além de dar o encaminhamento necessário para garantir a continuidade da realização dos jogos do Cruzeiro no estádio”, informou.
Já a Minas Arena, responsável pela administração do Mineirão, afirmou que tomou conhecimento do decreto e que “observará a nova regulamentação no que se refere às atribuições, aos espaços e aos ativos sob sua responsabilidade no complexo do estádio”.
“A concessionária seguirá acompanhando os desdobramentos da regulamentação e mantendo os alinhamentos necessários com os demais agentes envolvidos na realização das partidas de futebol no Mineirão”, completou.