Um homem foi preso em flagrante em Montes Claros, no Norte de Minas, e teve a prisão convertida em preventiva por suspeita de envolvimento em ameaças, perseguição e extorsão contra o deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM). A decisão é da Justiça de Minas Gerais e foi publicada nesta terça-feira (25).
Gabriel Augusto Borges Nogueira foi preso pela Polícia Federal (PF) após a apreensão de munições de uso restrito. Ao analisar a prisão, o juiz Eliseu Silva Leite Fonseca, da Vara Plantonista da Microrregião XXIX, em Montes Claros, levou em consideração também a investigação conduzida pela 12ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal sobre as ameaças contra o parlamentar.
Segundo a decisão, o homem foi identificado como o principal investigado após diligências que relacionaram números de telefone usados nas intimidações, registros de IMEI, dados fornecidos pelo WhatsApp, registros de antenas de telefonia e endereços de IP ao homem, que reside na cidade do Norte do estado.
Ainda conforme os autos, as ameaças teriam incluído o envio de vídeos com armas de fogo, exposição de dados pessoais do deputado e intimidações dirigidas também a familiares. As mensagens fariam referência ao Comando Vermelho. A decisão ressalta, porém, que os elementos da investigação não permitem antecipar um juízo de culpa sobre esses fatos.
O juiz também considerou que ainda existem diligências pendentes, como a localização de uma eventual arma compatível com as munições e a perícia nos equipamentos eletrônicos apreendidos. O magistrado citou a necessidade de garantir a ordem pública, preservar a integridade do deputado e de seus familiares e evitar prejuízos à investigação.
“A segregação cautelar mostra-se necessária, ao menos neste momento, também para impedir a renovação de contatos intimidatórios e preservar a integridade física e psicológica da vítima. Não bastasse, permanecem pendentes diligências relevantes à completa elucidação dos fatos (…)”, diz trecho da decisão.
Ameaças após denúncia
As ameaças contra Amom Mandel vieram a público em janeiro de 2024, depois que o deputado entregou à PF um dossiê sobre supostas ligações entre integrantes da segurança pública do Amazonas, políticos e facções criminosas.
Segundo a Veja, o parlamentar afirmou que passou a receber intimidações após repassar os documentos às autoridades e pediu proteção. Na época, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), pediu à PF que providenciasse escolta para o parlamentar.
A revista informou ainda que o dossiê entregue por Mandel à PF reunia relatórios de investigação e análises sobre supostas conexões do crime organizado com autoridades do Amazonas.