O marqueteiro Leandro Grôppo, que coordenou as campanhas vitoriosas de Romeu Zema (Novo) ao governo de Minas Gerais em 2018 e 2022, foi o responsável pela preparação e pré-campanha de Augusto Cury (Avante) à Presidência da República nos últimos meses.
Groppo atuou com Cury entre junho e 15 de agosto. O marqueteiro deixou o trabalho após nāo chegar a um entendimento quanto às condições financeiras para o prosseguimento da campanha com a equipe do presidenciável.
A estratégia era apresentar Cury como um nome fora da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Para explicar a avaliação, Groppo usou a imagem de uma piscina com três raias. Na primeira, da esquerda, estaria Lula. Enquanto na da direita estavam Bolsonaro, já na frente, seguido por candidatos como Zema, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e Renan Santos (Missão). A terceira raia, do meio e sem concorrentes, era estreita mas até então estava vazia.
”Era nessa raia que tinha espaço aberto para ele (Cury) percorrer. Foi com esse diagnóstico que concentramos a estratégia de posicionamento e discurso”, diz Groppo a O Fator.
O marqueteiro afirmou que deixou a equipe antes do início oficial da campanha, mas avaliou que o planejamento contribuiu para a exposição obtida por Cury nas últimas semanas. Com o crescimento nas pesquisas, o escritor passou a participar de eventos e entrevistas de maior alcance, como a sabatina da Globo, da qual ele antes não seria convidado.
Crescimento nas pesquisas
Cury avançou nas pesquisas divulgadas nesta segunda-feira (31). Na BTG/Nexus, subiu de 2% para 11% das intenções de voto no primeiro turno. Na Atlas/Bloomberg, passou de 1,6% para 7,8%.
Os resultados colocaram Cury à frente de Zema na disputa pelo terceiro lugar. O avanço provocou preocupação na campanha do ex-governador de Minas, que busca entender por que o candidato do Novo não cresce.
Entre as avaliações internas está a necessidade de Zema ampliar o diálogo com mulheres e jovens. A campanha também tenta evitar que o ex-governador seja visto apenas como mais um candidato da direita ou como um nome restrito ao discurso anti-Lula.
Groppo afirma que a alta de Cury confirma a estratégia definida na pré-campanha.
“A gente sabia que, se ele ocupasse esse espaço no discurso, haveria crescimento”, constata.