O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Edson Fachin, afirmou que anunciará “as medidas cabíveis e necessárias” diante da crise provocada pelas revelações dos últimos dias sobre a relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master, com integrantes da Corte.
A manifestação foi lida durante abertura de seminário nesta quarta-feira (2), um dia após o ministro André Mendonça derrubar o sigilo de um relatório de 218 páginas da Polícia Federal (PF) que aponta mensagens e encontros entre o ministro Alexandre de Moraes e Vorcaro.
Fachin classificou o momento como de “especial gravidade” e sustentou que a situação impõe à Presidência da Corte “serenidade, responsabilidade e firmeza”. O presidente do STF não citou nominalmente Moraes, Vorcaro nem o Banco Master.
Na manifestação, também divulgada institucionalmente pela Corte, o presidente afirma que “a elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades”.
Ainda segundo o texto, providências serão anunciadas. “Nos próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e observados os procedimentos institucionais pertinentes, esta Presidência anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias”.
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O relatório da PF
O documento tornado público integra a “Operação Compliance Zero”, que apura fraudes de cerca de R$ 12 bilhões nas operações do Banco Master e na cessão de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB). O celular de Vorcaro foi apreendido em novembro de 2025.
O material reúne conversas atribuídas a um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, registros de ao menos seis encontros e referências a contratos entre o Master e o escritório ligado a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Ele nega envolvimento e atribui as acusações a tentativas de desacreditar o STF.
Mendonça determinou o encaminhamento do caso ao Plenário do STF, independentemente da manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que foi contrária. A data da sessão depende de decisão de Fachin, que pode arquivar o caso ou levá-lo ao colegiado.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, sustentou que Mendonça não poderia ter tomado a iniciativa e considerou não haver fundamento para dar continuidade à apuração. O caso gerou brigas internas na Corte, com Moraes e Mendonça quase chegando às vias de fato.
Com mostrou O Fator, o nome de Gonet também aparece no relatório, inclusive em uma articulação para interferir na eleição do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União (CNPG).
Veja a nota na íntegra:
“Em momentos de especial gravidade, é dever de todos preservar a integridade do Supremo Tribunal Federal, a autoridade de suas decisões, o respeito às suas normas e, acima de tudo, a confiança da sociedade na instituição.
Os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional. Circunstâncias relacionadas, de um lado, à atuação processual e, de outro, a sérios elementos de fatos que exigem desta Presidência serenidade, responsabilidade e firmeza.
A elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades, que devem ser observados com absoluto respeito à Constituição, às leis e ao Supremo Tribunal Federal.
Nos próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e observados os procedimentos institucionais pertinentes, esta Presidência anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias.
Brasília, 2 de setembro de 2026.
Ministro Luiz Edson Fachin
Presidente do Supremo Tribunal Federal”