O incômodo financeiro no Republicanos e a ansiedade pelo julgamento de Cunha

Candidatos legislativos do partido apontam demora na chegada de recursos partidários para ajudar no custeio das campanhas
Imagem mostra a logomarca do Republicanos
Partido enfrenta críticas internas por causa de recursos. Foto: Júlio Dutra/Republicanos

Parte dos candidatos legislativos do Republicanos em Minas Gerais demonstra, nos bastidores, incômodo com o fato de alguns concorrentes ainda não terem recebido recursos oriundos do Fundo Eleitoral. O Fator apurou que, apesar das queixas, houve a sinalização de que a sigla intensificará os repasses a partir desta semana.

Paralelamente, integrantes da chapa à Câmara dos Deputados acompanha com atenção os desdobramentos da situação de Eduardo Cunha. Ex-presidente da Casa, ele teve o registro de candidatura questionado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que defende a impugnação. O julgamento no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) está marcado para esta quinta-feira (3)

Correligionários que vão concorrer à Câmara Baixa do Congresso Nacional ao lado dele dizem, sob reservas, torcer por uma decisão desfavorável a Cunha, por receio de que sua presença na nominata prejudique a votação do grupo.

Cunha, a propósito, está na lista de candidatos que ainda não receberam recursos da direção nacional do Republicanos. O presidente estadual, Euclydes Pettersen, é outro que ainda não informou, na prestação periódica de contas à Justiça Eleitoral, verba de origem partidária. 

Outros, porém, já foram contemplados. É o caso, por exemplo, do deputado federal Bruno Farias, que conseguiu R$ 1,3 milhão, e da pastora Daniela Linhares, beneficiária de um aporte de R$ 600 mil.

O Republicanos está na sétima colocação do ranking de rateio do Fundão. A agremiação teve direito a R$ 348 milhões, o que equivale a cerca de 7% dos R$ 4,9 bilhões disponibilizados aos partidos.

O que será levado ao Tribunal?

O MPE faz três apontamentos ao pedir a impugnação do registro de Cunha. Primeiramente, acusa-o integrar, em posto de comando, uma engrenagem dedicada ao desvio de emendas. A defesa de Cunha, por outro lado, contesta o uso do caso, tema de uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendendo os empenhos. Conforme a banca, o MPE “ousou equiparar um inquérito inicial no STF sobre emendas parlamentares, e suposto peculato, como se fosse congênere a (uma) ‘organização paramilitar’”.

O segundo argumento da Procuradoria trata da cassação do mandato de Cunha pela Câmara, em 2016, por quebra de decoro parlamentar. A discussão envolve mudanças na Lei da Ficha Limpa que podem alterar o início da contagem do prazo de inelegibilidade. O mesmo ponto, inclusive, foi utilizado no primeiro pedido de impugnação apresentado contra ele, feito por Roberta Lopes, vereadora em Juiz de Fora (Zona da Mata) e candidata a deputada estadual pelo PL. O pedido foi juntado ao mesmo processo.

O ex-deputado foi cassado em 2016, por quebra de decoro parlamentar, e recebeu pena de oito anos de inelegibilidade.

No entendimento da defesa, os oito anos terminaram em setembro de 2024 e, portanto, Cunha estaria elegível neste ano. O MPE, porém, considera que devem ser aplicadas as normas em vigor à época e que o prazo deve ser contado a partir do fim da legislatura, em janeiro de 2019, o que estenderia a inelegibilidade até o ano que vem.

O terceiro eixo de inelegibilidade detectado pela Procuradoria trata da condenação de Cunha por improbidade administrativa, mantida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), em função de enriquecimento ilícito decorrente de evolução patrimonial incompatível com seus rendimentos.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

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