No comando da Secretaria de Estado de Governo de Minas Gerais (Segov) há uma semana, Renato Rezende confessa ter ficado surpreso quando recebeu o convite do governador Mateus Simões (PSD) para assumir a pasta. Ele diz que, inicialmente, pensou se tratar de uma oferta para cuidar de uma diretoria do setor.
Passado o espanto, com o termo de posse assinado, escolheu, para os primeiros dias, uma agenda que prioriza reuniões com colegas de primeiro escalão a fim entender o que as demais secretarias planejam fazer até o fim do ano para cumprir as metas previstas no plano de governo apresentado na eleição de 2022.
“A cada hora, você vai ver um secretário vir aqui e eu perguntar ‘o que falta para você cumprir seu plano de governo? O que tem de entregas para cumprir o que foi prometido na eleição?’. Essa é a primeira diretriz. Depois, vamos ver a questão da Lei Orçamentária”, afirma, em entrevista a O Fator.
Rezende, que era o chefe da pasta de Governo de Uberlândia, no Triângulo, ainda não crava os números que vão constar no Orçamento estadual de 2027. No entanto, já começou a conversar com parlamentares para entender as demandas que reivindicam para o ano que vem.
“É um movimento democrático. Todos têm opinião sobre o orçamento. Temos, dentro de cada setor da Assembleia que aprova e valida (o orçamento), uma mobilização que tem de ser feita (para aprovar a peça)”, vislumbra.
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que norteia a construção da peça e tem caráter provisório, estima rombo de R$ 7,67 bilhões. O resultado é fruto do contraste entre os ganhos, projetados em R$ 142,79 bilhões, e as despesas, calculadas em R$ 150,46 bilhões.
Segundo Rezende, a despeito dos problemas no fluxo de caixa, o estado tem condições de apoiar prefeituras na resolução de problemas.
“O estado tem uma dor muito grande: o déficit orçamentário. Os municípios sofrem por coisas muito menores e, às vezes, você pode agir com uma coisa pequena para o estado, mas de muita valia para o município”, pontua.
Ideia é ‘potencializar’ deputados
A rotina de Rezende na Segov também tem contado com reuniões com deputados. Ele já esteve, por exemplo, com o presidente da Assembleia Legislativa (ALMG), Tadeu Leite (MDB), e com o líder do governo, João Magalhães, do PSD.
De acordo com ele, o plano é “potencializar” o papel dos parlamentares no atendimento às demandas locais.
“O deputado sempre tem a demanda política do município. É a demanda da promessa de campanha. Muitas vezes, ele não entende a real dor que o prefeito tem. São ajustes pequenos”, explica.
“Nunca vou deixar de dar para ele (o deputado) o crédito da região dele. Mas posso somar e mostrar outras formas (de atuação) a não ser só a emenda e a presença lá”, completa.
O ex-secretário assumiu a pasta em meio a um embate político. Ele foi escolhido para substituir Castellar Neto, exonerado na esteira do rompimento entre Simões e Marcelo Aro, candidato do PP ao Senado. O afastamento entre Aro e o pessedista, aliás, acontece a despeito da costura que levou a federação entre União Brasil e PP à coligação que apoia sua reeleição.
Nos bastidores, Rezende é tido como um nome apontado justamente a partir do apoio de União-PP a Simões. Ele, que já foi filiado ao PP, mantém boa relação com lideranças da federação.
El Niño gera pausa forçada
Rezende precisou paralisar por um tempo o cronograma que traçou inicialmente, mais voltado à articulação política, porque a Segov foi chamada para ajudar na edição de um decreto instituindo um comitê de enfrentamento aos efeitos do El Niño em Minas.
Como O Fator mostrou na semana passada, uma nota técnica elaborada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) indica que o fenômeno deve alterar os padrões de chuva em solo mineiro.
Assim, a tendência é de tempo seco deste mês até dezembro, com precipitação acima da média no Centro-Sul do estado e abaixo da média ao Norte. Até fevereiro, o estado deve enfrentar altas temperaturas.
De acordo com o secretário, municípios têm capacidade de resposta inferior aos estados no que tange a questões climáticas. O plano, portanto, é baseado em medidas de prevenção.
“As condições não estão previsíveis. Estou iniciando um giro pelo estado. Estarei em Teófilo Otoni (Jequitinhonha) e, depois, em Governador Valadares (Rio Doce), para a resiliência dos municípios, porque a gente não sabe o que está por vir”, explica.
“A gente tem de socorrer algumas regiões onde o período de seca está se estendendo, inibindo atividades produtivas”, emenda.