A insatisfação de ala do PV com critério da executiva nacional para dividir fundão eleitoral

Parte dos deputados da legenda ainda não recebeu um centavo sequer para financiar suas campanhas, segundo dados do TSE
Bandeiras do PV tremulando em dia ensolarado
Distribuição do fundão eleitoral é feita pela executiva nacional dos partidos e gera queixa no PV. Foto: reprodução/PV-DF.

Um critério adotado pelo PV para distribuir o fundão eleitoral tem incomodado uma ala do partido em Minas Gerais. O Fator apurou que o comitê nacional do partido considera a declaração de cor/raça dos candidatos como um dos parâmetros para dividir a verba — o que deixa alguns concorrentes à reeleição sem financiamento até o momento.

Segundo soube a reportagem, o diretório estadual do PV em Minas tenta articular com a nacional a liberação de valores, independentemente da declaração de cor/raça dos candidatos. Fontes admitem que há possibilidade de que esse repasse aconteça ainda nesta quinta-feira (3).

Até essa quarta (2), 25 deputados estaduais mineiros ainda não haviam recebido verba partidária para financiar suas campanhas. Entre eles, estão três do PV: Adalclever Lopes, Lohanna França e Professor Cleiton. A segunda tenta uma vaga na Câmara dos Deputados, enquanto os outros dois buscam a reeleição na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Por outro lado, o deputado estadual Mário Henrique Caixa, o único autodeclarado pardo da bancada verde na Assembleia, recebeu R$ 50 mil.

A insatisfação não acontece por causa do financiamento da campanha do radialista e de outras pessoas negras, mas pelo fato de parlamentares com mandato e, portanto, com maior chance de vitória nas urnas, ainda não terem recebido recursos.

Sem mandato

Segundo dados do TSE, a executiva nacional do PV repassou R$ 500 mil para três mulheres que tentam se eleger para a ALMG. Vale lembrar que a Justiça Eleitoral obriga que ao menos 30% do fundão deve seguir para candidaturas femininas.

Kell Silva, atual vereadora de Divinópolis (Centro-Oeste), recebeu R$ 100 mil; Irene Silva, parlamentar da Câmara de Pará de Minas, na mesma região, mais R$ 200 mil; e Damires Rinarlly, ocupante de cadeira no Legislativo de Conselheiro Lafaiete (Central), outros R$ 200 mil.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

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