A aproximação de parlamentares, prefeitos e candidatos legislativos do PL mineiro à campanha de Cleitinho Azevedo (Republicanos) ao governo, que a direção do partido tentou evitar com ameaças de punição no início da corrida eleitoral, ganhou novos capítulos nesta semana. Concorrente liberal a uma cadeira no Senado, o deputado federal Domingos Sávio enviou a aliados materiais impressos que não mencionam Flávio Roscoe, correligionário que disputa com Cleitinho o Executivo estadual.
Ao mesmo tempo, o número de deserções entre os integrantes das chapas proporcionais cresceu. As últimas declarações de apoio a Cleitinho vieram das deputadas estaduais Amanda Teixeira Dias e Chiara Biondini. O gesto de ambas, apurou O Fator, foi avalizado por Flávio Bolsonaro, que representa o PL na corrida presidencial.
Já Sávio tem se equilibrado entre Roscoe e Cleitinho. Conterrâneo do senador — ambos são de Divinópolis, no Centro-Oeste —, ele vem utilizando a proximidade geográfica para justificar o aceno. Segundo aliados, o apoio do deputado federal ao postulante do Republicanos é restrito às cidades do entorno de Divinópolis.
A O Fator, a assessoria de Sávio afirmou que a estratégia foi previamente alinhada com Roscoe.
Nas “colinhas” dele em que não há alusão a Roscoe, o campo destinado ao voto para governador foi deixado em branco. Além dos nomes e rostos de cada candidato a deputado, que mudam conforme a localidade, os panfletos mostram os números eleitorais de Sávio para o Senado e de Flávio Bolsonaro (PL) para presidente da República.
Risco de debandada
Nos casos de Amanda Teixeira Dias e Chiara Biondini, o sinal verde de Flávio Bolsonaro pelo embarque na campanha de Cleitinho está relacionado a uma estratégia do presidenciável de avaliar, caso a caso, pedidos de colegas de partido que desejam atuar em prol do candidato do Republicanos em Minas. Até o momento, não há registro de punições aos parlamentares e dirigentes que aderiram ao movimento, o que contraria a promessa inicial do partido de apertar o cerco contra episódios de infidelidade.
O aval da direção nacional do PL a Amanda veio na semana passada. Depois, promoveu um ato com Cleitinho no Barreiro, seu reduto eleitoral em Belo Horizonte. Eles também estiveram juntos no Mineirão.
Nas redes sociais, Chiara Biondini formalizou a aproximação com Cleitinho por meio de vídeos e pedidos de votos. Segundo apurou a reportagem, o pai dela, o deputado federal Eros Biondini, também foi autorizado a apoiar publicamente o senador. Apesar disso, ainda não se manifestou.
Como mostrou anteriormente O Fator, os primeiros pedidos partiram do vereador belo-horizontino Vile Santos, aspirante à Câmara dos Deputados, e do deputado estadual Eduardo Azevedo, irmão de Cleitinho e candidato à reeleição. Eduardo recebeu autorização sob a condição de não utilizar recursos do fundo partidário na campanha.
O Fator entrou em contato com Flávio Roscoe sobre as adesões à campanha rival. Até o momento, não obteve resposta. O espaço segue aberto.
Até suplente entra em campo
A adesão à campanha de Cleitinho alcança a Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH). Victor Lucchesi, suplente de vereador pelo PL e assessor de Amanda Teixeira Dias na Assembleia Legislativa (ALMG), doou R$ 5 mil para a campanha de Cleitinho e acompanha as agendas dele.
Procurado pela reportagem, Lucchesi disse considerar Cleitinho o nome mais viável para enfrentar o PT no estado.