O aval decisivo ao novo presidente da Cemig

Maior controlador privado da estatal mineira não mostrou resistência ao nome de Marco Aurélio Vasconcelos
A sede da Cemig em Belo Horizonte. Foto: ALMG/Luiz Santana

A indicação do advogado Marco Aurélio Vasconcelos para a presidência da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) teve o aval de José João Abdalla Filho, o Juca Abdalla, maior acionista privado da estatal.

Pelo que O Fator apurou, Abdalla gostou do nome levado pelo governo de Minas e não criou resistência à escolha. O conselho de administração da Cemig aprovou Vasconcelos na sexta-feira (11).

A posição do empresário foi acompanhada de perto porque o Banco Clássico, controlado por Abdalla, detém 17,63% da Cemig por meio do fundo Dinâmica Energia. É uma participação superior aos 17,04% mantidos diretamente pelo governo de Minas.

O caminho até Marco Aurélio Vasconcelos passou por uma tentativa frustrada do governo de trocar o presidente da companhia.

A primeira indicação era a do engenheiro Márcio Nunes para substituir Alexandre Ramos Peixoto. Abdalla, segundo pessoas que acompanharam as conversas, havia demonstrado resistência à troca.

A mudança, contudo, nem chegou à votação. Áreas jurídica, de compliance e de governança da Cemig apontaram restrições à indicação de Nunes por questões judiciais.

Com a alternativa bloqueada internamente, o governo passou a trabalhar com o nome de Marco Aurélio Vasconcelos.

Vasconcelos estava desde 2022 na Diretoria Jurídica da Copasa. A Cemig informou que ele atuou em temas de governança, regulação, conformidade e desenvolvimento de negócios.

Alexandre Ramos deixa a presidência executiva da companhia e assumirá o comando do conselho de administração da estatal.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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