A circulação do chamado “Marécio”, combinação informal de votos em Marília Campos (PT) e Aécio Neves (PSDB) para o Senado Federal, provocou incômodo na federação formada por PT, PV e PCdoB e também no Psol, que tem Áurea Carolina como candidata e integrante da dobradinha oficial com Marília.
Segundo apurou O Fator, a articulação em prol do “Marécio” chegou ao diretório estadual do PT e levou Marília a ser chamada para uma conversa na semana passada. A petista negou a existência de uma dobradinha com Aécio e reafirmou aos correligionários que tem pedido votos a Áurea.
O desconforto desencadeou uma reação dentro da própria campanha. Depois que apoiadores de Marília passaram a reproduzir a combinação com Aécio no interior, a candidata reuniu o núcleo duro e proibiu qualquer iniciativa semelhante. A orientação foi para que ninguém da equipe estimulasse a ideia.
A reação expôs uma divisão dentro do PT. Parte dos candidatos ouvidos pela reportagem considera a associação um desrespeito à construção política do partido e à estratégia definida para a eleição. Outros, contudo, veem a combinação com bons olhos e avaliam que a proximidade entre os dois nomes pode favorecer a eleição de ambos para o Senado.
Áurea reage
No Psol, Áurea e aliados passaram a buscar explicações sobre a origem da articulação e o espaço que o “Marécio” vinha ganhando entre eleitores.
Ela reagiu nas redes sociais e por meio de mensagens enviadas a eleitores para reforçar a dobradinha com Marília. O grupo adotou a hashtag #SaiAécioEntraÁurea e orientou candidatos e apoiadores a reproduzirem o movimento.
Áurea tem citado o resultado da eleição de 2018, em que Dilma Rousseff (PT), apesar de liderar as pesquisas, terminou na quarta posição. No entendimento dela, a distribuição do segundo voto é decisiva na disputa pelas duas cadeiras e, se mal calculada, pode prejudicar inclusive o resultado de Marília.
No ano mencionado pela pessolista, as vagas ficaram com Rodrigo Pacheco e Carlos Viana, então filiados aos extintos DEM e PHS, respectivamente.